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sexta-feira, fevereiro 27, 2015

O papel do Faraó no Antigo Egipto

O papel do Faraó no Antigo Egipto 
        Considerado filho de Rá, o deus Sol, o Faraó incarna o próprio deus vivo na terra acima de todos e de todas as coisas. Tudo lhe pertence quer as terras quer os homens. Representa os homens junto dos deuses, a que pertence, e os deuses junto dos homens. A sociedade egípcia organiza-se como uma teocracia que entrelaça o papel do faraó na vida política, económica e religiosa. O faraó era o responsável por todas as actividades do país, o sumo sacerdote de todos os deuses, a quem devia servir diariamente em todos os templos, ele era o Senhor do Ritual. Como por todo o país eram inúmeros os templos, os actos de culto e respectivas oferendas diárias que deviam ser da inteira responsabilidade do faraó, este fazia representar-se por sacerdotes que actuavam em seu nome e cada um deles culminava na sua pessoa. Esta missão passava muitas vezes de pais para filhos mas o faraó poderia terminar com a sucessão em qualquer altura. Em todos os templos e túmulos as gravuras mostram que a função sacerdotal a par da governação do reino pertencia ao rei. Os sacerdotes não passavam de funcionários civis especializados, purificados, na função complexa dos diversos rituais de o representar nos templos dos diferentes deuses. 
     O faraó devia preocupar-se com as cheias anuais do Nilo, pois elas significavam a prosperidade para o país que a ele se devia, pois os egípcios confiavam que o rei exercia as suas actividades de molde a garanti-la. Devido à inconstância destas, o faraó tinha a responsabilidade de armazenar o máximo de alimentos possíveis nos períodos de abundância, para poder distribuir os excedentes em qualquer situação inesperada. O rei tinha de estar informado com exactidão dos recursos disponíveis, para poder distribuir os bens necessários em eventuais épocas de crise, e evitar que a fome atingisse a população. Essa função político-administrativa de controlo de alimentos por parte do faraó era muito importante, pois uma crise de alimentos podia vir a desestabilizar o regime. 
        O sistema político não possuía leis escritas e nem era necessário que as houvesse já que o estado se sintetizava na pessoa de um deus. O faraó, com a sua palavra divina, determinava os objectivos do governo, os meios para os atingir e a estratégia a seguir. De acordo com o dogma, só ele era a autoridade e o único responsável pela sua propriedade — o país inteiro. Se o rei tivesse êxito em trazer fertilidade ao solo, manter um comércio proveitoso e garantir a paz para um desenvolvimento interno normal, teria feito um bom governo. O faraó estava em toda parte e fazia tudo mas dado ser impossível realizar todas as funções oficiais sozinho, delegava-as em simples mortais que actuavam por ele em seu nome. O vizir encabeçava o corpo de funcionários, e a seu lado estava o tesoureiro, o director da casa do tesouro, o director dos armazéns, o grande mordomo real, o generalíssimo, os capatazes, os cobradores com a atribuição de receber e contabilizar os impostos e taxas. Os escribas formavam a ampla base do aparelho administrativo. 
      O filho mais velho da rainha (esposa do faraó) era o herdeiro legítimo do reino, mesmo se fosse mulher, e um filho varão de uma outra sua mulher, esposava a herdeira para legitimar o seu direito ao trono. O casamento entre irmãos era a uma forma de união frequente na família real, mas não impediu que mulheres subissem ao trono como faraós como por exemplo Hatchpsut.
      Tudo o que cercava o faraó visava demonstrar o seu poderio, a sua essência divina que o distinguia do comum dos mortais e reforçava a ideia de ser invencível. O seu traje também tinha esse objectivo. Usava um saio plissado de linho fino tecido com fios de ouro e prata preso por um cinto de couro com pedras preciosas e uma fivela de ouro com o seu nome. Um ceptro em forma de gancho, e o chicote, para punir os culpados. Cortava o cabelo e a barba mas usava no queixo uma barba postiça pontiaguda e um cabeção sobre os ombros e a nuca. Na fronte, sobre a coroa, a cobra naja conhecida como uraeus, foi a marca dos faraós durante todo o período dinástico. Nos momentos solenes usava duas coroas, a branca e a vermelha que representavam respectivamente o Alto e o Baixo Egipto, ou uma coroa azul parecida com um elmo. Outras vezes usava uma forma de barrete de pano às riscas com a forma de coroa dupla. 
      Os faraós, reis divinos e sacerdotais possuíam uma dimensão humana e é isso que os torna interessantes. Como guerreiros comandavam nos campos de batalha à frente de exércitos. Para além do seu papel divino em vida deveria continuar a ser um deus governante na morte. A morte não trazia mudança para a vida do rei: como deus na terra, ao morrer, incorporava-se no círculo dos deuses. Mas o caminho para o céu onde viviam os deuses, não era fácil e o faraó teria de ultrapassar complicados obstáculos para alcançar a felicidade e o êxito na outra vida, onde iria renascer e alcançar a imortalidade. Os seus túmulos começavam a construir-se ainda em vida na margem oeste do Nilo, o lado onde o Sol se põe. Desde a I dinastia os túmulos dos faraós foram estruturas elaboradas, onde a câmara mortuária para além do sarcófago era repleta de tesouros e objectos pessoais. As paredes eram revestidas de textos mitológicos e imagens destinadas a facilitar a trajectória do rei no seu caminho para a imortalidade. 
Bibliografia 
DONADONI, Sérgio. O Homem Egípcio. Editorial Presença. Lisboa. 1994 
SOUSA, Rogério. EM BUSCA DA IMORTALIDADE NO ANTIGO EGIPTO. Edições Ésquilo. 1ª Ed. Impresso em Rainho & Neves Lda. Santa Maria da Feira. Junho de 2012 
TAVARES, António Augusto. CIVILIZAÇÕES PRÉ-CLÁSSICAS. Edições da Universidade Aberta. Lisboa, 1995

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

A Escuridão e a luz...


 
 
 
A Luz e a Escuridão

A escuridão… a escuridão parece sólida. Entramos na escuridão e todo o nosso ser fica alerta. Enlouquecemos ou tocamos o céu. Silencio, luz, escuridão. Poder ver, ser, escrever na escuridão. Sinto que isto pode fazer demasiado sentido, e se faz sentido já não tem razão e ser... É como fotografar meu espírito. As palavras apagam o espírito. Tenho medo de fazer ruído a estas horas, parece que há algo que se rasga. O silêncio rompe-se, mas volta a fechar-se, como mercúrio, o silêncio é de mercúrio. À noite tudo é mágico ou louco, ou sublime. A sublime loucura. A noite é silêncio e escuridão. É mercúrio sólido. Revela nossa loucura,  nossa estranheza, nossa beleza. Tudo cresce a níveis mortais. E quando estamos a ponto de perder, então,  nasce o sol. Nasce e inunda-nos de luz. Voltamos a respirar. Inspiramos luz e cor, cortesia para alimentar a loucura nocturna, que voltará. A mágica noite. O refúgio noite.  O salvador dia. O refúgio dia. Não gosto de fazer ruido na escuridão. Parece que algo se rompe.
Escuridão é silêncio. Pensar na escuridão é gritar. Tocar na escuridão é fazer. Respirar é gemer. Paz e tormenta. Solidão.  Solidão mágica. Não gosto de me mover na escuridão, sinto que remexo algo. Misturo o negro ao ruído rompe-se a magia que volta a refazer-se porque o silêncio e a escuridão são mercúrio. A solidão... Queremos unir solidões, obscuridades. Distrações. Esta hora... Esta hora em que se ouve ruído ao longe. Em que o corpo desaparece. Pensar! Cada vez  é mais raro pensar… Estas palavras fizeram-me pensar? Pensar pensar pensar... Mercúrio mercúrio mercúrio... E já não tem qualquer sentido. Pensar em imagens. Pensar palavras que abstraiam o pensamento. Pensar mais linguagens, mais abstractos, mais complexos, mais dualidades, mais belezas. Complexidades. Simplicidades. Luz, escuridão, mercúrio, magia... Refugio vigília. Refugio sonho. Refúgio Ignorância. Refúgio conhecimento.
Refúgio escuridão. Refúgio luz!
 
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS
 

domingo, abril 21, 2013

Premonição!


Calculava que com a tua estratégia chegarias sem te fazeres anunciar,  e o teu sentido de claridade e retidão conseguiria a pouco e pouco derrubar as paredes do meu búnquer escuro ao entrar por entre as frinchas das pedras para afugentar as minhas sombras do medo e do mundo que as mantinham tão firmemente unidas… Já supunha que chegarias com alguma manobra diplomática e subtil, e que o teu discurso de razões e certezas saberia negociar a liberdade dos meus sonhos que estavam cativos… Sabia que serias capaz de resgatar a ilusão e a confiança prisioneiras nos meus recintos da solidão… Acreditava que aparecerias com alguma táctica perspicaz apontando para o bosque de duvidas inimigas todas as tuas minas  de promessas e ilusões  para  me arrancar com paciência a armadura de luto  que trazia colada à pele… Sabia, que chegarias com a tua bandeira branca para dar brilho a meus olhos cansados e que todos os teus recursos dariam amparo a meus fatigados ossos… Agora só me  falta imaginar tudo o que pode chegar no horizonte quando adormeço encostada a ti…
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

domingo, fevereiro 24, 2013

A Mudança!


Cada um atravessa várias etapas durante a sua vida, abre uma fecha outra e assim nos vamos formando e transformando. Nessas coisas que vão sucedendo há factores que de alguma forma nos afectam, mas seremos nós “presas” das circunstâncias e dos acontecimentos?
Somos nós que criamos muito do que nos acontece, por não saber fechar etapas, deixamos abertas portas do passado que só servem para permitir que os fantasmas entrem e nos afectem no presente.
  Fazemo-nos de desentendidos por não termos a coragem de enfrentar o que nos acontece ou o que queremos de verdade. Acobardamo-nos perante o destino e perdemos a identidade com a pressão do medo ao desconhecido. Somos o que somos e o que nos acontece, devemos aprender a lidar com isso para poder SER.
Sem deixar de lado que, certamente, há muitas circunstâncias da vida geradas por agentes externos, algumas bastante traumáticas e dolorosas e até improváveis, trata-se de podermos ante o que acontece saber actuar conforme o que somos e queremos. Não perder nunca o objectivo principal do ser e do querer. Podemos preparar e mudar o que nos rodeia.
Ante um mundo que está a perder o rumo, onde a verdade e a luz pura do ser se estão a degenerar, onde tudo está a perder valor, em que os compromissos, os sentimentos se vêm manipulados pela vergonha e o medo, ante esta perda de essência, temos de ser nós a salvar essas circunstâncias.
Não se trata de competir ou ser o melhor, de ter beleza e juventude eternas, trata-se de poder viver e conviver com o resto do universo dele sendo parte integrante. Sentir-se parte do infinito e lutar por ele.
Devemos resgatar a essência e ter coragem de ser audazes para poder salvar o que nos rodeia, sem ser “presa” do destino nem de casualidades que nos condenam, para poder ter LIBERDADE verdadeira e pura, ou seja poder eleger e decidir sem pressões ou alienações aquilo que desejamos.
Sou eu a dona do meu destino, comandante da minha alma e general em todas as minhas batalhas…
Para me salvar, devo ser eu a gerir a maior parte do que me acontece na vida e não deixá-la à deriva ou abandoná-la à sorte. Aceito o que me acontece, e sobre isso construo o que quero daí para a frente.
É o convite à mudança, é a possibilidade de poder melhorar...
BEIJO MEU PARA TI!
 BEIJOS!!
 


quarta-feira, fevereiro 06, 2013

O Abismo


Por mais de uma vez quis baixar os braços, renunciar, simplesmente desaparecer. Mas não, nenhuma destas opções foi a escolhida e frente às dificuldades optou por lutar, por continuar, por insistir. Sem sequer importar se com o preço a pagar, jogou as suas cartas, enfrentou os fantasmas e destruiu tudo o que lhe impedisse continuar seu caminho. E conseguiu-o sem ter que quebrar suas crenças, seus princípios e valores … Não teve que ser aquilo que não era, pois apesar do risco de tudo perder preferiu ser ela a uma simples aparência… Os que mal a conhecem não sabem do que fala mas quem conhece entende perfeitamente o que quer dizer com estas palavras e sabe que nelas não há mais que a verdade de si. Houve quem se empenhasse a fazer-lhe mal, em complicar-lhe a vida, em difama-la e até em humilha-la, mas nunca recorreu às mesmas armas, usou as suas e embora para muitos não seja assim, ganhou a batalha. Ganhou respeito por si mesma, ganhou em manter-se fiel a si própria e ser a pessoa que sempre foi, ganhou a tranquilidade da mente e espírito, e o fortalecimento dos laços com os amigos e entes queridos. Volta, tranquila e cheia de emoção, porque neste tempo conheceu pessoas maravilhosas, gente que guarda num lugar especial do coração. Conseguiu aprender, conhecer e saber, mas sobretudo a superar-se. Sabe que muitos a interpretaram muito mal e que pensam de um modo muito diferente de si, mas é isso que está correto. São eles que a fazem ver e repensar se o que faz a qualquer momento está a ser bem feito, depois, o que diga respeito ao que pensam sobre si não é problema dela... Não sente odio por quem a magoou, sente um não querer, um não  importa, distante de si...Não há odio nem rancores, cada qual deve viver com a sua consciência e ela quer a sua limpa e tranquila. Não quer saber se a criticam, mas sabe distinguir a crítica do desmembramento moral. Isso, não tolera! Pessoas assim, são convidadas a afastarem-se da sua vida pois como disse Níetzsche: “Quem com monstros luta cuide de transformar-se em monstro. Se olhas por muito tempo um abismo, o abismo também olha dentro de ti."
A todos, a minha gratidão por tudo, aqui estou de novo aos passinhos, mas todos os dias um pouco mais além.

                                                                             BEIJOS

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Aos amigos!

Na nossa vida há pessoas que ao cruzarem o nosso caminho, nos fazem felizes.
Algumas percorrem-no ao nosso lado e juntas vemos os anos a passar, há outras que só vemos entre um passo e outro. Chamamos a alguns amigos...As folhas de uma árvore podem caracterizar os nossos amigos. As primeiras são os nossos pais, que nos mostram o que é a vida. Depois vêm os irmãos, com quem dividimos o nosso espaço para que possam florescer connosco. Passamos a conhecer toda a família de folhas que respeitamos e amamos. O destino presenteia-nos com outros amigos, que não sabíamos que se iriam cruzar no nosso caminho. São sinceros, são verdadeiros… sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz. Por vezes um desses amigos da alma acelera o nosso coração, dá brilho aos nossos olhos, melodias renascem nos lábios, e florescem sorrisos. Temos amigos distantes, que estão na ponta dos ramos e quando o vento sopra sempre aparecem entre uma folha e outra. O tempo passa, o Verão dá lugar ao Outono e perdemos algumas de nossas folhas, algumas nascem noutra primavera e outras permanecem por muitas estações… As que caiem continuam perto, alimentam as nossas raízes com alegria… São recordações de momentos maravilhosos de quando se cruzaram no nosso caminho. Para ti, folha da minha árvore, paz, amor, saúde, sorte e prosperidade. Simplesmente porque cada pessoa que passa na nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Esta é a maior responsabilidade da vida e a prova evidente que as almas não se encontram ao acaso. A Papoila vai encerrar por um tempo… Voltarei! A todos um

FELIZ NATAL E UM BOM ANO DE 2010.
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

sábado, novembro 21, 2009

a guerreira adormecida...

Estou rodeada por uma sebe de altos arbustos. Vejo as cores e as formas caprichosas das suas folhas. Sinto o perfume de erva fresca, o perfume de chuva sobre terra molhada… lentamente estas fragrâncias levam-me à minha infância… Deito-me sobre a erva húmida, ouço ao longe uma doce melodia e deito-me na sombra de uma árvore… o sol está a descer lentamente no ocaso… medito naquilo que me trouxe… o dia que agora está a acabar... as recordações tornam-se mais vivas e reparo que o que mais desejei foi alcançado por uma serie de coincidências e circunstâncias… deixo-me adormecer e sinto o doce repouso da alma que reclama uma longa pausa… parece-me avistar os meus avós que me vêm beijar... Será um sonho? Um anseio… um não sei o quê…mas… sinto-me em paz…

PARA TI UM BEIJO MEU!!
BEIJOS!!!

quinta-feira, novembro 05, 2009

Porque te escrevo...

Às vezes escrevo por gosto… outras por prazer… muitas por necessidade…
há ocasiões em que simplesmente tenho de o fazer por qualquer motivo que vem não sei de onde… desejo inexplicável de contar o que me vai na alma… sei bem que não sou nenhum génio, tenho só um certo mau génio… não sou nenhuma luz, tenho alguma chispa… nunca me parece bem o que faço e procuro sempre superar-me… claro que não sou perfeita… posso dizer que nada me prende muito menos o medo… a alma não tem descanso quando se trata de paixão… também lhe falta tranquilidade quando se trata de amor… menos ainda tem paz quando se fala de ausência… por isso nada melhor que dizer amo-te e depois ver-te sorrir…
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

quarta-feira, outubro 21, 2009

Vou Lá...

Lá, onde sou deusa quando me olhas nos olhos e procuras a minha boca… Lá, onde as minhas mãos acariciam a tua pele… se escondem em pregas e loucas percorrem teu corpo…. Lá onde posso despir o meu corpo cansado onde a paixão se transforma em ave de fogo que esvoaça e devora todas as nossas dores…. Lá, vou procurar as asas, para encontrar a passajem secreta que me leva de nossos corpos enlaçados à nossa história… Quero encontrar o teu riso de menino quando saltavas as poças de água, as tuas mãos sujas de terra, os teus olhos verdes brilhantes, quero ser a chuva que te molhava o cabelo encaracolado… Quero beber teus lábios, e tatua-los no meu pescoço. Serei a tua companheira por veredas de bosques húmidos e desertos esquivos… Viajarei incógnita sem autorização a tua memória, e vou substituir a tua primeira mulher, a segunda, todas elas…. Serei deusa gloriosa que crava a sua bandeira em todos os sofrimentos, desejos, alegrias e paixões. Lá sou invisível, sou toda mãos… e corpo enlaçado em teu corpo de deus amado... Será lá que te espero nesta e em todas as outras vidas, e não importa se por acaso não houver mais nenhuma… Vou saber reconhecer-te e fazer-te cair em meus braços… Porque é inevitável… nem aqui nem lá, poderíamos evitar amarmo-nos…
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

sexta-feira, outubro 09, 2009

regresso a mim...

Respira…não permitas que nada interrompa os teus sonhos… não deixes que o ruído interrompa a calma dos pensamentos… deixa que o vento se entranhe no corpo… deixa de lado as preocupações e o tic tac do relógio…por um bom momento não o permitas avançar, ou pelo menos, que não te dês conta se mesmo assim, o faz… saudade de quando não existia pressa… de quando os meus olhos se abriam só porque o sono fora suficiente… quando caminhava sem rumo fixo só pelo prazer de ir a qualquer lado sem nada de especial… saudade da calma… de viver sem pressa… de nada mais desejar que o que tinha no momento… pensar que havia coisas para além do que os meus olhos podiam ver mas que não se chamava desconhecido... eram fruto da minha imaginação… Em que momento crescer foi sinónimo de perder? Em que momento realizar os sonhos foi começar a encurtar as fantasias? Muitas vezes, como agora, tenho saudades de mim e várias vezes em sonhos, vejo-me no passado, como sou agora mas em lugares que já vivi e pessoas que ficaram para trás no caminho a ver como tudo continua igual excepto eu…ver-me de novo sentada numa carteira a sentir a eternidade do tempo… ou a colocar a agulha de um gira-discos com uma canção que me faz brincar e dançar sem parar a tarde inteira… sem complicações… Quando mais esgotada estou, quando mais depressa correm os dias, quando perco os sinais que me recordam quem sou, preciso respirar, sonhar, pensar, ficar bem quieta como se o tempo não avançasse para reviver um pouco a forma que vivi em menina… e volto a ver-me a enrolar um xaile da minha mãe a fazer de saia para girar e girar com a música… subir as escadas de casa a correr para chegar à torre do meu castelo… o meu quarto… sair em dias chuvosos simplesmente para molhar-me a sonhar que os charcos eram grandes ondas de mar que levavam a barca que me levaria pelo mundo… aquela folha de papel dobrada em forma de barquinho que se desfazia…. que importava… isso fazia-me rir e gritar de emoção…voltar a ver-me menina… que bem me faz de vez em quando…
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!

segunda-feira, setembro 21, 2009

tempo de outono...

Sentimo-nos presentes no tempo quando olhamos as ondas que murmuram memórias… enquanto ouvimos as nuvens a baixar nas dunas… como a despedirem-se… num abraço profundo ao encontro da vida que pulsa no corpo… Estamos presentes quando olhamos o céu e o sentimos… quando a garganta conta uma estrela e faz sorrir o rio que flui para o mar… quando um ramo se acende no umbral de uma porta que um dia sonhou que era de pedra… Estamos presentes no cair das folhas em castelo, no planeta das cores que dão voltas à sombra quando esperamos juntos o amanhecer.
PARA TI UM BEIJO MEU!
BEIJOS!!

quinta-feira, setembro 10, 2009

palavras ao vento...

Se há algo que não consigo controlar são as emoções…
Sem ter poder sobre elas, dominam-me, fazem-me perder a cabeça, a compostura e a razão…
Levam-me às nuvens, fazem-me tocar o céu, inundam-me a alma de vida, de paixão, de alegria…
Se pudesse ter controle sobre elas seria mais uma daquelas…
Das que fazem juízos prévios, das que nunca se deixam levar, das que temem ser felizes…Mas eu não pertenço a essas almas…
Sou uma alma livre dominada pelas maiores emoções que um ser humano pode sentir, sou um ser humano imperfeito que se deleita com o imperfeito da vida…
E assim continuo por cá… a viver a maravilhosa imperfeição da vida…

(Conversa privada entre mim e o vento…)

BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

quinta-feira, agosto 20, 2009

A pequena Veneza do coração de Inglaterra...

Bourton on the Water é uma pequena vila em Cotswolds uma região montanhosa na zona centro oeste desde sempre apelidada de “o coração de Inglaterra”. É um conjunto montanhoso constituído por rochas sedimentares de cor amarelada ricas em fósseis e vegetação luxuriante que a levam a ser considerada uma região de beleza natural deslumbrante. A pitoresca vila é atravessada pelo rio Windrush com uma série de pontes pedonais e meandros belíssimos. Muitas das suas casas têm mais de 300 anos (algumas da época vitoriana) foi muitas vezes eleita como a mais bela vila inglesa e chamam-lhe a pequena Veneza de Cotswolds… Uma das suas atracções que merece uma pormenorizada visita é a vila em miniatura que reproduz inteiramente todos os seus edifícios em escala reduzida. A vila tem uma luz expressiva apesar do dia chuvoso em que a visitei e pode observar-se na grelha de fotos que ilustra o texto.
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

segunda-feira, julho 20, 2009

naveguei por mil mares...

Naveguei por mil mares, e passei todas as tormentas. Atravessei desertos com a alma sedenta. Lutei contra dragões e soldados que não valiam a pena…Semeei e colhi mesmo nas piores colheitas, nunca neguei o destino, porque estava escrito nas estrelas…Sem dúvida, a este Deus não lhe basta ver-me prosseguir, ele quer mais e mais e sempre me vai pedir mais… Invoquei as forças do além a pedir socorro por falta de piedade, conjurei os feitiços de protecção convoquei as forças da natureza para que elevassem o meu ser. Cada espaço foi coberto com específica sabedoria e divindade. Mas nada é suficiente. Há sempre mais para dar…Eis-me aqui neste cataclismo, aqui no meio do tornado, sinto girar tudo ao meu redor, mas permaneço estática a olhar em frente, não fui absorvida pelos ventos, sou testemunha disto que não sei o que é… Uma tarde tive um pressentimento… “não importa o preço a pagar, quero regressar a mim, saberei o que fazer”… e assim foi, mas não alcancei, nada de tudo o que se pode humanamente alcançar… vejo como o furacão destroça tudo comigo no meio, muito tonta, sem poder fazer nada. Nunca pude não fazer nada, nunca me permiti ficar a esperar mas observo como arrasa tudo á sua passagem. Fiz uma oferenda pensando num bem, agora pago as consequências por julgar -me superior à natureza. Vou esperar que o temporal passe e evitar que me arraste com ele… Se o conseguir, vou ser uma sobrevivente... e acima de tudo, terei aprendido uma grande lição… não quero magoar-me de novo a ouvir… “Não sabes o que é o amor!”

A Papoila vai fazer um intervalo! Se clicarem nos selos ao lado têm informações importantes sobre os comportamentos adequados para todos contermos o avanço da pandemia da Gripe A, quer a nível individual, quer colectivo. Neste sentido podem visitar também o Microsite da Gripe em http://www.dgs.pt/
Até breve!
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

quinta-feira, julho 09, 2009

As Fenix

Uma pena de fogo cai do Sol sobre a Terra, e semeia uma estrela… Há quem vaticine o fim do mundo, mas a pena desce lenta e placidamente, alheia aos comentários e aos medos. Ao roçar a atmosfera torna-se uma bola de fogo rubra, causando o terror de muitos espectadores. As filhas do sol soltam-se numa dança de asas, são Fénix de cor escarlate, tão velozes e ágeis que parecem acrobatas. Voam de país em país com o único objectivo de serem vistas para que a sua presença possa mudar tudo… não por fora mas por dentro… no interior das pessoas quando contemplam aquelas incansáveis aves carmesim… Deixam cair uma e outra pena e com seu pai o Sol, acalmam a dor da Terra…. Uma por outra vez dá-lhes para descer ao solo para curar com as suas lágrimas algum doente…
Milagre! Milagre! - exclama a multidão…
Mas na verdade, o milagre escapou da imaginação de um menino debruçado da janela da sua casa a quem lhe deu para pensar o que sucederia se caísse do céu uma pena de fogo e deixou livre o pensamento de tal forma que começou a ser tangível para muitos, até ganhar vida própria e transformar o menino em mais um espectador daquela novidade que os deixava a todos tão perplexos. Debruçado na janela de seu quarto pensava: que aconteceria se a Lua nevasse sobre a Terra e o arco-íris se perpetuasse em todos os desertos?
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

domingo, junho 28, 2009

o perfume da roupa lavada...

Acho que nunca aqui contei que adoro o cheiro da roupa lavada… Não sei porquê, mas a roupa de algodão bem lavada põe-me em sintonia com o mundo… em estado de graça… Uma montanha de roupa lavada, passada e perfumada pode ser tão bom como um manjar de deuses… tão mágico como quando o melro sai de seu ramo habitual das sete da manhã, e vem cantar na janela do meu quarto com o ar familiar de um amigo que tem direito a entrar, sem avisar que vem ver-me… É tão bom o cheiro da roupa acabada de passar como entrar num café no momento que começa a tocar a minha canção favorita... É um momento parecido com aquele em que o sol se põe obliquo sobre um rio de prata… ou uma traineira colorida atravessa o horizonte apressada porque é tarde para voltar ao porto... Quase como quando vejo um homem com espuma de barbear correr a esconder-se como um menino depois de me ter dado um beijo que me deixou uma nuvem de espuma na face... Talvez seja tão bom como quando vou comprar biscoitos de dieta para gatos naquela clínica veterinária em que me atende o clone do Harrison Ford… Parecido com enrolar-me no cachecol de lã branco inglês que me deram este Inverno e que se adere à pele com uma suavidade inacreditável… Assim como se o mundo cheirasse a caramelo acabado de enrolar em nuvens de algodão doce e caminhássemos sem parar pela cidade dos beijos...
BEIJO MEU PARA TI !
BEIJOS!!

quarta-feira, junho 24, 2009

Os 100 anos do café Piolho... Parabéns!

Piolho para os amigos, é um dos cafés mais antigos do Porto. De seu nome Âncora D`Ouro, a funcionar desde 1909, foi rebaptizado por estudantes de Medicina que acharam Piolho mais apropriado. É uma das referências do Porto, quer pela sua história (que se lê através das mensagens dos estudantes afixadas nas paredes) quer pelas suas tertúlias de diversas gerações, local de encontro de estudantes associativistas resistentes à ditadura.
A 26 de Junho de 2009 o Piolho comemora 100 anos.

Pequeno Peter Pan como cresceste!
As causas nobres, que já venceste!
Onde estão os dias de brincadeira
e as longas noites de amena cavaqueira...
Os sonhos esconderam-se...
Mas de que maneira?
Como um pássaro livre fugiste um dia
por entre pombas para outra cidade.
Na busca de esquecer a filosofia,
o amor a religião, uma boa conversa.
O vinho repartido um ou outro
desejo reprimido...
Sem esquecer o fogo da liberdade...
Os beijos não se perdem meu amigo,
guardam-se no coração,
como os abraços e aquela canção...
Nesta cidade que perdeu a Primavera,
querido amigo... minha alma te espera
para compartilhar uma nova era
a filosofia... o amor... fugidos à morte...
Aqui, deitados à sorte...
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

sábado, junho 20, 2009

Miróbriga


Regressada de umas breves férias que me levaram a Miróbriga a cidade de origem celta povoada desde o século IV AC que os romanos colonizaram e transformaram desde o século II AC… Estrategicamente situada perto do mar e na encruzilhada dos quatro caminhos da rosa dos ventos Oeste a Este (Sines a Beja) e Sul a Norte (Lagos a Alcácer do Sal), Miróbriga foi uma cidade de peregrinação e de grandes romarias, talvez um santuário rural…. A sua origem celta faz-me sonhar que suas gentes pediam a cura a Endovélico e mais tarde a Esculápio os deuses celta e romano da Medicina… Na verdade foi encontrada aqui uma ara votiva a Esculápio um deus menor de Roma muito querido dos povos peninsulares… pelo menos aqui residiu um médico pois encontrou-se uma colher de cirurgião e outros instrumentos… No século XVI foi construída a Norte sobre as ruínas, a capela de S. Brás o santo mártir decapitado que se comemora a 3 de Fevereiro, e que arrancou um espinho da garganta de uma criança e assim a salvou…
Uma visita pelas suas ruínas e percorrendo as suas belas calçadas de xisto, levam-nos ao fórum a imponente praça em terraço e socalcos o centro político e religioso da cidade onde se encontram um templo a Vénus e outro dedicado ao culto imperial . A zona comercial que o rodeia a Sul com as suas lojas (tabernae) fazem-nos recordar o movimento que apresentava a cidade nos seus dias de glória… com a sua hospedaria de belos frescos. Os dois edifícios de diferentes cronologias das termas muito bem conservados, apresentam os compartimentos usuais destas construções: zona de entrada, zona de banhos frios - "frigidarium" e zona aquecida - "caldarium e tepidarium". O pavimento das salas era coberto de mármores, sendo as zonas quentes aquecidas pelo sistema de hipocausto, por onde circulava o ar quente... Uma ponte de um arco de volta inteira e o único hipódromo conhecido no país, destinado a corridas de carros puxados por dois ou quatro cavalos, situado a cerca de 1km da cidade- dividido ao meio pela "spina" com uma meta em cada extremidade em que não se encontraram vestígios de bancadas, que deveriam ser construídas em madeira, contam-nos do movimento e das festas que a cidade organizava... Miróbriga torna-se assim uma cidade célebre, sobre a qual escreveu Plínio o Velho, o sábio historiador romano do século I .
Classificado desde 1940 como imóvel de interesse público ligado ao Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico desde 1982, o sítio arqueológico de Miróbriga o "castelo velho" de Santiago do Cacém, aguarda e merece ser considerado Monumento Nacional.
Encontra-se em pleno funcionamento o Centro de Acolhimento e interpretação, construído pelo IPPAR.
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!!

domingo, maio 31, 2009

os meninos espantalhos...

Era uma vez uma menina espantalho que vivia e cuidava de um campo de fruta em Alcobaça. Ela sentia-se muito só naquele campo que era muito grande e por isso mal caía a noite, soltava-se dos paus que a prendiam e passeava pelo campo de cá para lá e de lá para cá... De manhã, os passarinhos vinham visita-la, porque apesar de ser um espantalho, era muito doce e simpática e por isso os pássaros eram amigos dela mas, com a condição e a promessa de nunca tocarem nas sementes que ela tinha de guardar. Um dia, numa madrugada de Verão, um pássaro azul chegou com uma boa nova para a menina… contou-lhe com detalhes minuciosos que no campo vizinho tinham começado a semear, havia muita gente nova e um deles era um espantalho jovem que também parecia ser muito simpático.
A menina sentiu-se feliz com a notícia mas ficou um pouco assustada, pois outros pássaros amigos dela tinham-lhe contado que alguns espantalhos eram muito maus e temia que o seu vizinho fosse desses e assustasse os seus amigos. Mal caiu a noite, inquieta, encheu-se de coragem e foi investigar… Era uma bela noite estrelada, com uma lua esplendorosa cheia de magia em que se ouvia as cigarras a cantar em coro. Muito devagar e em silêncio chegou perto da cerca de madeira e atravessou-a mas ao chegar junto do espantalho fugiu assustada ao ver que ele se virava de rompante. No dia seguinte os seus amigos chegaram mais tarde ao seu encontro, e conversavam todos sobre coisas novas e como tinham sido bem acolhidos. Curiosa e um pouco ciumenta perguntou do que se tratava … Era simples, os pássaros antes de passar pelo seu campo, passaram pelo do vizinho e encontraram-se com o menino espantalho que estava à espera deles com água e sementes … A menina espantalho quando os ouviu ainda ficou mais intrigada que antes, e nessa noite cheia de valentia decidiu enfrentar o seu vizinho…
Quando lá chegou encontrou-o sentado, a olhar para o céu, e como estava mais precavida, aproximou-se pelo mato para não dar na vista. Quando chegou suficientemente perto viu que a cara dele estava triste, e os olhos brilhantes. Então, sem cobardia, aproximou-se dele, cumprimentou-o, sorriu-lhe e ficou a olha-lo com ternura. Ele, envergonhado com a situação, cumprimentou-a com cortesia e ficou pensativo Ela, que não podia esperar, começou a fazer-lhe perguntas a que ele respondeu com amabilidade… contou-lhe que na noite anterior se tinha assustado com um ruído, e quando se voltou viu uma sombra a fugir… imediatamente percebeu que era ela e que a tinha assustado sem querer… disse-lhe que também ele por estar só procurava a companhia dos pássaros e eles contavam-lhe histórias sobre ela… que era muito tímida e medrosa e que foi por isso que tinha fugido na véspera à noite... O espantalho não conseguiu esconder a sua alegria pela possibilidade de poder estar assim junto dela. E foi assim, que nessa calma noite, aconteceu o milagre de se tornarem grandes amigos. Todas as manhãs os pássaros voam entre um e outro e levam mensagens e todas as noites, se encontram perto da cerca de madeira para caminharem juntos até à lagoa, conversar sobre a vida e ouvir os grilos que cantam até o orvalho os vir acariciar… Passeiam de mãos dadas até à hora de cada um voltar para o seu campo…


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Desde 1 de Junho de 1950 que se comemora o Dia Mundial da Criança por iniciativa da Federação Internacional de Mulheres Democatas que propôs à ONU a criação deste dia. Este dia não é só um dia de festa. É um dia em que se pensa nas centenas de crianças que continuam a sofrer de maus tratos, doenças, fome e discriminações. Podem ver aqui a página do Comité Português para a UNICEF
Em 20 de Novembro de 1989, as Nações Unidas adoptaram por unanimidade a
Convenção dos direitos da criança, documento que enuncia um amplo conjunto de direitos fundamentais – os direitos civis e políticos, e também os direitos económicos, sociais e culturais – de todas as crianças, bem como as respectivas disposições para que sejam aplicados.
Este é o meu tributo ao Dia Mundial da Criança...
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!

quarta-feira, maio 20, 2009

segredos...

Segredos secretos, cobertos com um véu, silenciosos, sabem como fazer sair o génio da lâmpada, ocultam-se nos bosques, por trás das fisgas, tocam clarinete ou saxofone, sempre instrumentos de sopro...de vento… Por vezes vestem-se de gala... se a ocasião o merece... outras, vestem-se de luto... Alguns empunham um punhal afiado... outros desfolham margaridas muito pacientes... sabem que tarde ou cedo acabam por ser descobertos… Alguns estão nas gavetas da cómoda, quando tiramos a roupa caem ao chão ou fazem malabarismos para subir pelo nosso corpo… Alguns choram com dramatismo, outros bebem amêndoa amarga e de vez em quando mostram a língua bífida para meter medo… Segredos, secretos, indiscretos, desejosos de abandonar o anonimato, saltam ao lago para pernoitar debaixo de água e gritar aos peixes o que certas pessoas não devem ouvir. Alguns foram amordaçados, pois de longe se via que cantariam logo sem necessidade de qualquer tortura… Alguns estão mal remendados, e outros fazem bater forte o coração e passam a ser pressentimentos… outros patinam sobre gelo frágil e acabam por se fundir em mares de certezas. Há segredos… Porque me chegaram a mim um atrás doutro quando deviam hibernar nas suas cavernas? Olho-os de frente, contemplo-os e guardo-os de memoria… Não sei se os meta na liquidificadora, não sei se os ate, cave uma grande cova e os enterre de uma vez por todas — mas não tenho coração para os conseguir enterrar tão vivos como estão agora— talvez formar um coral e ir dar pequenos recitais nos jardins daqueles que pretenderam oculta-los… Melhor irem comigo e no caminho lhes direi que não sou sua dona, não me sigam para todos os lados, nem me seduzam com augúrios de poder… o melhor será declara-los livres mesmo sem saber se isso possa originar o caos, pois fazem um ruído ensurdecedor depois de terem passado tanto tempo em silêncio. Segredos, secretos, pequeninos e despidos, com uma boca tão grande e uns olhos tão profundos...
PARA TI UM BEIJO MEU!
BEIJOS!!