A Editora Campo das Letras, fez a 10 de Dezembro de 2007 no Ateneu Comercial do Porto o lançamento do livro "SOL NASCENTE -Da cultura republicana e anarquista ao neo-realismo", da autoria de Luís Crespo de Andrade.Esta obra resultou dum projecto de investigação da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo sobre a história da revista "Sol Nascente" solicitado a Luís Crespo de Andrade, que foi financiado pela Fundação do Montepio Geral. A Associação Promotora vinha a contactar as pessoas ligadas ao Movimento Neo-Realista, e suas famílias, desde o início da sua actividade, em 1989, sentindo-se a necessidade de fixar a memória dum tempo importante na vida portuguesa, memória essa que, de uma maneira geral, não está registada em documentos escritos. Na sequência deste trabalho, Luís Crespo de Andrade realizou, a par da leitura dos trajectos do quinzenário, uma investigação quase policial, descobrindo pessoas há muito afastadas de qualquer actividade cultural que tinham muito que contar, gravando as entrevistas e identificando a grande maioria das personalidades que estavam por detrás dos pseudónimos que aparecem a assinar colaboração na revista. Luís Crespo de Andrade teve o mérito de reconstituir de forma fiel o ambiente que se vivia na época - segundo testemunham os sobreviventes que leram a obra - e de esboçar o perfil de muitos dos intervenientes, um deles a quem me ligam laços familiares profundos, o meu tio Bau de quem vos falei aqui (12 de Março de 1917 / 6 de Janeiro de 1993).
O trajecto editorial do quinzenário "Sol Nascente" (1937-1940) representa a transição da cultura republicana e anarquista, dominante nos meios oposicionistas da década de 1930, para a orientação política e cultural marxista, que irrompe, nas suas páginas, de forma vigorosa. Criado e dirigido por estudantes universitários portuenses que se opunham à ordem política vigente e se sentiam unidos pela esperança num mundo novo, "Sol Nascente" começou por ser uma revista de orientação explicitamente ecléctica. Reuniu artigos de intelectuais consagrados de que se destaca Abel Salazar - e colaborações de autores jovens, sempre com grande variedade de opinião e de sensibilidade. Constitui uma importante fonte para aceder, de forma completa e sistemática, ao pensamento da geração que se formou nos anos da Guerra Civil de Espanha e que passou a dominar a vida política e cultural oposicionista. "Sol Nascente" merece, pois, que a sua história seja elaborada.
Luís Crespo de Andrade é professor no Departamento de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, coordenador do Seminário Livre de História das Ideias.
"SOL NASCENTE - Da cultura republicana e anarquista ao neorealismo", Luís Crespo de Andrade, Edição de Campo das Letras, S.A. Novembro de 2007, colecção Cultura Portuguesa - 9, capa de Campo das Letras, óleo de Abel Salazar oferecido ao editor da Sol Nascente.
Boa leitura.
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