Rodopiam palavras perdidas…giram três quartos de relógio entreabrem a janela e escapam-se…abro um caderno procuro uma folha de papel... uma margem… os seus restos desaparecem e misturam-se num caldo sem solução… sinto que navego em estados de alma incertos…perco-me por territórios que visito por necessidade ou que por necessidade invento… é inevitável… corro ao seu encontro… assisto ao seu naufrágio… recolho um a um os pedaços que dão à costa… é cansativo… mais fácil é vê-las chegar ou passar a voar como sempre… sem ignorar os seus murmúrios em cada vento… a cada brisa… divagam… e podem regressar no silêncio e fazer estremecer a nudez da minha alma num momento… descalça na orla da praia vou apanhando o resto das palavras… sorrisos…choros… suspiros dos sentidos… na brisa o aroma de beijos … grafites autografados nas paredes do dia a dia… intervalo de vozes e de olhos... por medo ou ousadia as flores preferem ficar no jardim… as castanhas no souto… e as folhas... as folhas em branco… A inspiração adormece... descansa... de repente a tempestade bate-lhe à porta... e ela desperta… PARA TI UM BEIJO MEU SOPRADO!
BEIJOS!!


