sexta-feira, fevereiro 27, 2015

O papel do Faraó no Antigo Egipto

O papel do Faraó no Antigo Egipto 
        Considerado filho de Rá, o deus Sol, o Faraó incarna o próprio deus vivo na terra acima de todos e de todas as coisas. Tudo lhe pertence quer as terras quer os homens. Representa os homens junto dos deuses, a que pertence, e os deuses junto dos homens. A sociedade egípcia organiza-se como uma teocracia que entrelaça o papel do faraó na vida política, económica e religiosa. O faraó era o responsável por todas as actividades do país, o sumo sacerdote de todos os deuses, a quem devia servir diariamente em todos os templos, ele era o Senhor do Ritual. Como por todo o país eram inúmeros os templos, os actos de culto e respectivas oferendas diárias que deviam ser da inteira responsabilidade do faraó, este fazia representar-se por sacerdotes que actuavam em seu nome e cada um deles culminava na sua pessoa. Esta missão passava muitas vezes de pais para filhos mas o faraó poderia terminar com a sucessão em qualquer altura. Em todos os templos e túmulos as gravuras mostram que a função sacerdotal a par da governação do reino pertencia ao rei. Os sacerdotes não passavam de funcionários civis especializados, purificados, na função complexa dos diversos rituais de o representar nos templos dos diferentes deuses. 
     O faraó devia preocupar-se com as cheias anuais do Nilo, pois elas significavam a prosperidade para o país que a ele se devia, pois os egípcios confiavam que o rei exercia as suas actividades de molde a garanti-la. Devido à inconstância destas, o faraó tinha a responsabilidade de armazenar o máximo de alimentos possíveis nos períodos de abundância, para poder distribuir os excedentes em qualquer situação inesperada. O rei tinha de estar informado com exactidão dos recursos disponíveis, para poder distribuir os bens necessários em eventuais épocas de crise, e evitar que a fome atingisse a população. Essa função político-administrativa de controlo de alimentos por parte do faraó era muito importante, pois uma crise de alimentos podia vir a desestabilizar o regime. 
        O sistema político não possuía leis escritas e nem era necessário que as houvesse já que o estado se sintetizava na pessoa de um deus. O faraó, com a sua palavra divina, determinava os objectivos do governo, os meios para os atingir e a estratégia a seguir. De acordo com o dogma, só ele era a autoridade e o único responsável pela sua propriedade — o país inteiro. Se o rei tivesse êxito em trazer fertilidade ao solo, manter um comércio proveitoso e garantir a paz para um desenvolvimento interno normal, teria feito um bom governo. O faraó estava em toda parte e fazia tudo mas dado ser impossível realizar todas as funções oficiais sozinho, delegava-as em simples mortais que actuavam por ele em seu nome. O vizir encabeçava o corpo de funcionários, e a seu lado estava o tesoureiro, o director da casa do tesouro, o director dos armazéns, o grande mordomo real, o generalíssimo, os capatazes, os cobradores com a atribuição de receber e contabilizar os impostos e taxas. Os escribas formavam a ampla base do aparelho administrativo. 
      O filho mais velho da rainha (esposa do faraó) era o herdeiro legítimo do reino, mesmo se fosse mulher, e um filho varão de uma outra sua mulher, esposava a herdeira para legitimar o seu direito ao trono. O casamento entre irmãos era a uma forma de união frequente na família real, mas não impediu que mulheres subissem ao trono como faraós como por exemplo Hatchpsut.
      Tudo o que cercava o faraó visava demonstrar o seu poderio, a sua essência divina que o distinguia do comum dos mortais e reforçava a ideia de ser invencível. O seu traje também tinha esse objectivo. Usava um saio plissado de linho fino tecido com fios de ouro e prata preso por um cinto de couro com pedras preciosas e uma fivela de ouro com o seu nome. Um ceptro em forma de gancho, e o chicote, para punir os culpados. Cortava o cabelo e a barba mas usava no queixo uma barba postiça pontiaguda e um cabeção sobre os ombros e a nuca. Na fronte, sobre a coroa, a cobra naja conhecida como uraeus, foi a marca dos faraós durante todo o período dinástico. Nos momentos solenes usava duas coroas, a branca e a vermelha que representavam respectivamente o Alto e o Baixo Egipto, ou uma coroa azul parecida com um elmo. Outras vezes usava uma forma de barrete de pano às riscas com a forma de coroa dupla. 
      Os faraós, reis divinos e sacerdotais possuíam uma dimensão humana e é isso que os torna interessantes. Como guerreiros comandavam nos campos de batalha à frente de exércitos. Para além do seu papel divino em vida deveria continuar a ser um deus governante na morte. A morte não trazia mudança para a vida do rei: como deus na terra, ao morrer, incorporava-se no círculo dos deuses. Mas o caminho para o céu onde viviam os deuses, não era fácil e o faraó teria de ultrapassar complicados obstáculos para alcançar a felicidade e o êxito na outra vida, onde iria renascer e alcançar a imortalidade. Os seus túmulos começavam a construir-se ainda em vida na margem oeste do Nilo, o lado onde o Sol se põe. Desde a I dinastia os túmulos dos faraós foram estruturas elaboradas, onde a câmara mortuária para além do sarcófago era repleta de tesouros e objectos pessoais. As paredes eram revestidas de textos mitológicos e imagens destinadas a facilitar a trajectória do rei no seu caminho para a imortalidade. 
Bibliografia 
DONADONI, Sérgio. O Homem Egípcio. Editorial Presença. Lisboa. 1994 
SOUSA, Rogério. EM BUSCA DA IMORTALIDADE NO ANTIGO EGIPTO. Edições Ésquilo. 1ª Ed. Impresso em Rainho & Neves Lda. Santa Maria da Feira. Junho de 2012 
TAVARES, António Augusto. CIVILIZAÇÕES PRÉ-CLÁSSICAS. Edições da Universidade Aberta. Lisboa, 1995

5 comentários:

Ana S. disse...

Bem-vinda ao mundo dos blogs!
Nada começar com uma aula de história para relembrar os tempos de escola eheheh
Beijos

Jorge P. Guedes disse...

PAPOILA

Muito interessante este texto sobre os farós, uma espécie de demiurgos terrenos, mortais em terra e imortais na outra vida.

Aqui nos vemos de novo e à espera que a febre do facebook passe. Ainda não percebi bem o motivo de tanta gente se abster de vir ao blogue (pelo menos ao meu!). Enfim, são opções.

Um abraço.

m disse...


é realmente uma lição de história que muito aprecio agradecido

manel duarte

Jorge P. Guedes disse...

Então, Papoila, o blogue parado novamente? Deixo o meu lamento e um abraço.

Papoila disse...

Jorge P. Guedes tenho estado a desenvolver um projecto de investigação que irá decorrer até Junho. O tempo é curto.
Obrigada pelo comentário e vou procurar nos meus arquivos mais textos para reanimar o blog