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segunda-feira, fevereiro 15, 2010

"há razões que a razão desconhece"...

Tem sido grande a ausência mas… “há razões que a razão desconhece”… A 25 de Janeiro de 2010 na Maternidade do Hospital John Radcliffe em Oxford, nasceu o meu neto Tomás que já fui visitar de emoções ao rubro… Acabada de regressar, depois de ter passado por Lá... Deixo-vos uma foto…Mais palavras para quê?

BEIJO MEU PARA TI!

BEIJOS!!!

sábado, julho 04, 2009

esperar calma...

Procurei-te…
Na luz da alvorada,
entre os sorrisos da vida
na enseada dos meus olhos,
numa lágrima que caiu
na saudade… na ausência.
Senti-te!
Quando esboçavas meu perfil…
Com emoção
pensei no teu abraço.
mas escapaste…
Não sei como fugiste.
Sussurraste-me que
tudo estava em mim;
e tu estás em tudo
nos pequenos nadas,
nas sombras do desespero
ou à flor da pele da esperança.
Compreendi e quero dizer-te…
Vais e vens como as marés
na orla da praia do destino.
Vou esperar que chegues
de novo a mim
sempre calma...
Com calma...
Calma…
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

domingo, junho 28, 2009

o perfume da roupa lavada...

Acho que nunca aqui contei que adoro o cheiro da roupa lavada… Não sei porquê, mas a roupa de algodão bem lavada põe-me em sintonia com o mundo… em estado de graça… Uma montanha de roupa lavada, passada e perfumada pode ser tão bom como um manjar de deuses… tão mágico como quando o melro sai de seu ramo habitual das sete da manhã, e vem cantar na janela do meu quarto com o ar familiar de um amigo que tem direito a entrar, sem avisar que vem ver-me… É tão bom o cheiro da roupa acabada de passar como entrar num café no momento que começa a tocar a minha canção favorita... É um momento parecido com aquele em que o sol se põe obliquo sobre um rio de prata… ou uma traineira colorida atravessa o horizonte apressada porque é tarde para voltar ao porto... Quase como quando vejo um homem com espuma de barbear correr a esconder-se como um menino depois de me ter dado um beijo que me deixou uma nuvem de espuma na face... Talvez seja tão bom como quando vou comprar biscoitos de dieta para gatos naquela clínica veterinária em que me atende o clone do Harrison Ford… Parecido com enrolar-me no cachecol de lã branco inglês que me deram este Inverno e que se adere à pele com uma suavidade inacreditável… Assim como se o mundo cheirasse a caramelo acabado de enrolar em nuvens de algodão doce e caminhássemos sem parar pela cidade dos beijos...
BEIJO MEU PARA TI !
BEIJOS!!

quinta-feira, junho 04, 2009

FÉRIAS....!

Preciso encontrar a razão
de meus impulsos...
Recuperar minhas forças,
o meu bem querer,
minhas dúvidas e certezas...
Reconquistar a minha alma,
reconstruir o meu ser...
Encontrar a inspiração,
as palavras... os sonhos,
escrever sem cair na solidão...
Quero saber quanto abarca
a imensidão do mar...
Entretanto...
Carpe Diem!
Que eu prometo voltar...
 obrigado
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

quinta-feira, maio 14, 2009

A necessidade se encaixar...

Às vezes os medos são mais fortes que a realidade… Então escondemo-nos por cantos escuros… e vamos à procura de um espaço para podermos ser… É difícil a procura quando ninguém entende ao que vamos, complica-se quando não sabem bem onde nos “encaixar”… Mas não se trata de encaixar, mas de ser! Quando se é, sempre se “encaixa” onde quer que se esteja. O que cada um vale, não está sempre à vista e só algumas pessoas especiais o sabem apreciar, os outros só procuram “encaixar–se” para estarem acompanhados… A solidão faz parte da vida, ensina-nos a estar connosco próprios. Se nos aceitamos, os outros também o farão. É o melhor filtro para estar com as pessoas adequadas. Não se trata de merecer, cada um é o que é e tem o que deve ter. Sempre temos a possibilidade e a liberdade de tornar possível o impossível… Tudo depende do que sonharmos para nós… Sonhar projecta-nos e impulsiona-nos, sem nunca perder o objectivo. Fracassar também faz parte da vida e ensina-nos a levantarmo-nos e seguir em frente... È o que nos dá valor como pessoas... Nem todos conseguem faze-lo, mas essa possibilidade é de todos… Um perdedor será, quem sabendo isto se deixa estar “encaixado”…

PARA TI UM BEIJO MEU!
BEIJOS!!!

segunda-feira, maio 04, 2009

Flores à chuva...

Intensa e copiosa chuva
cai sobre a alma
confusa, perdida…
O que salva uma condenada
se as marcas perduram
apesar de absolvida...
Nada se compara
a copiosa chuva,
quando brota
cai... lava a alma
e dá Vida!
Que flor floresce
sem perder pétalas
enquanto cresce?
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

segunda-feira, abril 27, 2009

O 1º de Maio...Dia Internacional do Trabalhador

Em 1886, no dia 1 de Maio desfilaram pelas ruas de Chicago, cerca de 500 mil trabalhadores, numa manifestação pacífica que reivindicava a redução da jornada de trabalho para as oito horas diárias. A polícia reprimiu-a, e dispersou-a depois de ferir e matar dezenas de operários o que levou a ser decretada uma Greve Geral como forma de luta. No dia 3 de Maio houve um novo levantamento mais pequeno, que acabou com uma escaramuça com a polícia e a morte de alguns manifestantes. A 4 de Maio, os operários voltaram às ruas e foram mais uma vez reprimidos. Deu-se a explosão de uma bomba que matou 7 agentes da polícia e esta atirou sobre a multidão matando 10 manifestantes e ferindo dezenas deles. Foram presos 8 lideres, 4 trabalhadores foram executados e 3 condenados a prisão perpétua. Mais tarde, veio a provar-se que fora a própria policia quem lançara a bomba. A luta não parou e a solidariedade internacional pressionou o governo americano no sentido de anular o falso julgamento e elaborar novo júri, o que veio a acontecer em 1888. Os membros deste novo júri reconheceram a inocência dos trabalhadores, culparam o Estado Americano e os 3 condenados a prisão perpétua foram libertados.
Em 1889 o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decidiu convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário no dia 1º de Maio, em homenagem às lutas sindicais de Chicago e este dia tornou-se assim um dia de luta e de luto. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia e resulta na morte de 10 manifestantes. Este novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama o dia 1 de Maio como dia internacional de reivindicação de condições laborais.
Em 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o horário de 8 horas de trabalho por dia e proclama o dia 1 de Maio desse ano como feriado, seguido pela Rússia que proclama este dia feriado em 1920 e a maioria dos países do Mundo segue o seu exemplo e decretam feriado a 1 de Maio, o Dia do Mundial dos Trabalhadores.Estranhamente nos EUA, o dia feriado apelidado de dia do trabalho (Labour Day) não se comemora a 1 de Maio, mas sim na primeira segunda feira de Setembro.
Em Portugal só a partir de 25 de Abril de 1974 é que se passou a comemorar livremente o 1º de Maio que passou a ser feriado.
(Eduardo Gageiro 1 de Maio de 1974)
Passados 123 anos sobre as manifestações dos operários de Chicago pela luta das oito horas de trabalho diário e da brutal repressão policial que se abateu sobre eles, o 1º de Maio mantém todo o seu significado e actualidade quando vivemos uma crise económica inigualável com um número crescente de desempregados, de empresas com salários em atraso, de sucessivas suspensões de produção sem pagamento de salários, e a uma nova Lei do Trabalho que aprova a possibilidade de horários prolongados por 12 horas, que empurra os trabalhadores para condições de vida semelhantes às vividas no século XIX. Felizmente ouvi a 28/04/2009 na TSF que a União Europeia (UE) decidiu, esta segunda-feira, abandonar a polémica directiva que permitia o alargamento do horário de trabalho para as 65 horas semanais. Trata-se de uma proposta que não colheu o acordo dos 27 governos, nomeadamente o português, e mereceu a oposição de muitos eurodeputados.
VIVA O DE MAIO
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

quinta-feira, abril 16, 2009

serenatas e luares...

Entre allegros e andantes
viaja a recordação.
Entre graves e agudos
os sentimentos errantes.
Serenatas e luares
são companheiros
de andanças...
Sinfonia de trigais
faz entoar teu silêncio.
PARA TI UM BEIJO MEU!
BEIJOS!!!

terça-feira, março 24, 2009

Mimi...

Naquela noite quente Maria ao receber o serviço olhou a sala de reanimação de longas paredes brancas e nuas que estava em silêncio. Nas duas filas de berços estreitos, iguais e austeros as crianças estavam prostradas. Ouviu ao longe a voz do colega que lhe passava o serviço:
“Esta menina não passa desta noite... a febre não cede, está agónica!Tens de mentalizar-te!”.
Maria, olhou-o e sentiu uma leve vertigem que a fez prender-se ao berço mais próximo, enquanto olhava de olhos nublados para Mimi. Mimi, não era um doente com um número de cama… Mimi, era uma linda menina sobrinha da enfermeira Fátima que ela tinha internado na ante- véspera com uma infecção respiratória, depois de ter tido sarampo. Linda, bem nutrida, de olhos fundos como o mar.
“Victor, não pode ser esta noite! Não pode ser comigo!”
“Não te iludas Maria! Já fizemos tudo o que é possível. A febre não cede, está cada vez mais prostrada como podes ver! Não há antibiótico que actue, e o Professor já sugeriu a sua suspensão pois como sabes o nosso stock está a esgotar-se. Temos já muito poucos…”
“Isso nunca! Não serei eu a suspender a medicação!”, retorquiu Maria.
“Faria o mesmo! Boa noite e apoia a Fátima que deve estar a chegar!”, respondeu-lhe Victor.
Acendeu a luz de vigília, luz velada que espalhava uma claridade suave naquela sala toda branca que tornava o ambiente pesado e quente apesar do ar condicionado, um pouco mais fresco. Uma luz confortável sobre as crianças doentes prostradas nos bercinhos. Não seria nada fácil a noite, passeava de uma ponta a outra da enfermaria sem pensamentos definidos, com o desejo que a manhã chegasse rápido sabendo que ainda estava longe. Mimi continuava a lutar pela sobrevivência quando Fátima chegou a seu lado e perguntou.
“Como está ela doutora, como está minha sobrinha?”
“Não está melhor Fátima... O antibiótico não está a fazer efeito...”
A sua voz sussurrada ouvia-se no silêncio. Naquele berço Mimi só com uma fralda respirava cada vez com mais dificuldade, enquanto gemia levemente. Maria dirigiu-se para a secretária com os olhos marejados de lágrimas e sentou-se na primeira cadeira que encontrou enquanto Fátima debruçada sobre o berço abraçava a menina. Não quis estar presente naquela hora de despedida da tia a sua sobrinha. O silêncio foi rompido pelos gritos lancinantes de Fátima enquanto batia com as duas mãos cerradas sobre o peito de Mimi:
“Não podes morrer! Não podes morrer! Não podes morrer!”
Maria, aproximou-se e enquanto passava o braço sobre Fátima, para lhe dar algum conforto, Mimi tossiu e saiu por entre os lábios um liquido purulento. Maria afastou Fátima e rapidamente sentou a menina enquanto ordenava para a enfermeira de serviço:
“Aspirador! Depressa!” e começou a aspirar as secreções que Mimi expelia. Aspirou cerca de meio litro de pus enquanto Fátima a olhava…Todo o seu receio, toda a sua inexperiência em tal situação como tantas vezes sucede, transformou-se naquela voz de comando, e a pouco e pouco ficou cada vez mais calma e segura porque Mimi começava a respirar com mais facilidade… Como num desabafo Maria murmurou :
“Fátima com a sua fúria e desespero, com a sua revolta, salvou a Mimi!”
Entre soluços Fátima repetia
“Mas que fiz eu? Mas que fiz eu?”
”A Mimi tinha um abcesso pulmonar que impedia o antibiótico de actuar. Penso que as pancadas que lhe deu no peito o fez abrir para o brônquio mas vamos pedir uma radiografia para ver, mas só de manhã… e se for como penso, a Mimi vai melhorar”
As duas mulheres abraçaram-se e choraram nos braços uma da outra, beijaram-se e Maria via em Fátima um rosto grave e uns olhos vagos de quem não comprendia bem o que se passara. Sentaram-se de cada lado do berço de mãos dadas até Mimi começar a respirar normalmente. Pela manhã, Mimi já não tinha febre e sentada na cama brincava com um boneco não se sabe vindo de onde.
Quando o Professor na manhã seguinte passava a visita com Maria perguntou com ar austero:
“Porque é que esta criança está aqui internada na reanimação? Porque não foi para a enfermaria?”
Com um sorriso Maria respondeu-lhe...
“É a Mimi, a sobrinha da Enfª Fátima , senhor professor, esta noite melhorou muito depois de lhe ter aspirado 500ml de pus, e não tive ainda oportunidade de a enviar para a enfermaria…”

A Mimi está bem. Cresceu, estudou e é professora na bela cidade de Maputo. Casou e tem dois filhos.
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

quarta-feira, março 18, 2009

o sono de Laura...

Laura estava recostada no velho sofá no meio do seu quarto pequeno mas decorado com muita delicadeza. Nunca faltavam flores frescas numa linda jarra de cristal colocada em cima da cómoda. Estava frio e por isso fechou a janela que estava entreaberta… cansada das noites de insónia, fechou por um momento os olhos e deixou-se embalar pelas recordações dos dias da meninice, de quando queria crescer e ser grande.
Chegaram-lhe imagens nítidas da longa fila para os sanitários no recreio grande da hora do almoço no colégio onde fizera a primária. Ela e Leonor no corredor que acabava nos lavabos. Ao fundo via-se o pátio com uma grande árvore e por baixo estava desenhada a macaca onde jogavam à patela. A dela uma bela pedra de xisto que avô lhe tinha arranjado e polido como as pedras da malha que dera ao mano. A directora parada à entrada dos lavabos agilizava o tempo e colocava ordem na fila e sem querer ouviu a conversa entre Laura e Leonor, que com entusiasmo e inocência, falavam da sua ansiedade em crescerem e serem maiores para poderem ser mães. Então directa e firme como sempre, a directora, disse-lhes que a meninice era o melhor tempo da vida, a maioridade era um sofrimento não só pelos problemas que lhes traria crescer mas também porque depois de crescer tudo se via de uma outra perspectiva. As meninas ficaram caladas, sem se atreverem a dizer o que quer que fosse, mas de olhos e bocas abertas pensaram ambas para si que devia faltar um parafuso à directora…
Laura saiu do sonho e voltou ao presente despertada pelo ruído do apito da chaleira de água a ferver. Tinha deixado na cozinha a chaleira a aquecer água para preparar um café e a caneca estava já pronta no tabuleiro. Era penoso mover-se quando lhe atacava o reumatismo. Fazia-o mas com dificuldade e esforços. Sempre a mesma dor nos ossos. Não era debalde que tinham passado mais de 50 anos desde aquelas conversas infantis. Como estaria agora a Leonor? Tinha de lhe ligar. Levantou-se do sofá com visível esforço e dirigiu-se à cozinha em passos lentos e curtos. Não deixou de sorrir de lado enquanto pensava com certa melancolia que a velha directora tinha razão… Sem duvida alguma, esses anos de meninice tinham sido os melhores da sua vida… A vida tinha passado muito depressa, tinha envelhecido mas voltaria a viver tudo de novo, todas as suas lutas tinham valido a pena...
PARA TI UM BEIJO MEU!
BEIJOS!!!

domingo, março 15, 2009

onde estás vida?

Já não vivo
com a ilusão da alvorada...
Vivo para sobreviver!
Mais uma sombra na penumbra
deste vale de melancolia asfaltada…
Meu corpo, preso ao chão,
como um tapete,
para que meus ossos sejam pisados,
tal como o foi minha alma...
Espero a derrota final,
a estocada certeira
que permita ultrapassar
o bosque das sombras perpétuas
das esperanças sem vida
fascinação medíocre do drama final...
Chora coração chora o céu
chora a perda de tudo
e o ganho de nada…
A essência da vida
dilui-se a cada respiração
agónica asfixia sem tréguas
alegria de poucos
instigadora de frustração...
Pelo meu nome ninguém chama,
nas florestas de rochedos abandonados,
com flores caídas de ramos confiantes…
Sinto meu corpo a endurecer !
Só me falta morrer
para ficar mais morta!
O grito que leio no olhar de todas as idosas dependentes e miseráveis que tenho assistido e que já não têm esperança... nem nas Instituições nem nos familiares que supostamente as cuidam...

BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!

segunda-feira, março 09, 2009

fugiram as borboletas...

Escaparam do meu peito
borboletas que esvoaçam
como frágeis pétalas
de Março...

Escaparam,
como os sonhos
ao findar da noite
no nascer da alvorada.

Não me batam à porta
não me chamem
não pronunciem meu nome.

Fugiram as borboletas.
Escaparam-se!

PARA TI UM BEIJO MEU!
BEIJOS!!!

sexta-feira, março 06, 2009

o seu estendal de histórias...

Ela ganhava histórias na proporção em que a pele se apergaminhava…Desde que sabia desfiar letras e formar palavras ainda na sua voz infantil, que a ouviam contar histórias... Várias vezes encantou os companheiros de brincadeiras, que pensavam estarem a ouvi-la a ler um livro, sem notarem que tudo não passava de invenção da sua imaginação.
Agora, com o passar dos anos muitos desses rastos de histórias partilhadas, eram momentos do seu estendal de palavras (como gosta de lhes chamar)...Todos julgavam que era pura ficção, mas ela, guardava uma a uma as suas vivências e memórias e pintava-as com palavras da cor da utopia... Havia tantas pessoas, que talvez sem o saber a tinham ajudado. Claro que, como todos, tinha necessitado mais que uma vez de apoio de diversas formas. Não poderia dizer que nunca tivesse sentido num e noutro momento alguma necessidade económica, que um bom amigo se dispusera a cobrir. Quem não viveu uma circunstância adversa, em que uma mão amiga deu ouvidos à ansiedade, ou simplesmente escutou o silêncio. Ninguém poderia dizer que não tinha conseguido romper a fronteira do medo... talvez "do que dirão"... talvez simplesmente "do que verão"... valendo-se de um primeiro apoio que dizia e via o que não dói... Quem não nunca sentiu o calor de um simples "Como estás? Tudo bem?" Uma saudação que ultrapassa a cortesia ou um cumprimento formal. Ela guardou como um tesouro todos esses gestos e sentimentos, como uma ferramenta imprescindível para ir tecendo a sua história... uma crónica real, que apresentava em dias de estender histórias.... uma cadeia de letras que escorregava do estendal onde restavam as molas de retalhos de vivencias... Enquanto a pele adquiria textura de pergaminho, ela guardava histórias... histórias que estendia e deixava a secar ao alcance de quem a ajudava a seguir, sempre a seguir o seu caminho...
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

terça-feira, março 03, 2009

cantarolar...

Há cantigas que nos invadem logo de manhã e que sem sabermos porquê não nos saem do ouvido durante todo o dia. Hoje de manhã ao passar junto ao mar corria um vento fresco e lembrei-me da minha cantiga preferida da infância que todo o dia trauteei. Cantava-a no Jardim Escola João de Deus que frequentei desde os três anos de idade e se tornou para mim uma referência e uma recordação doce. Vou partilhá-la aqui convosco.

O VENTO

Já o vento me leva ao ar
Coradinha da cor da romã
Pé aqui… pé ali… pé além…
Dá-me um abraço meu lindo bem…

Ò que praias tão lindas tão belas
Onde eu ia passear
Sentadinha na areia sozinha
Apanhar conchinhas do mar…

E vocês lembram-se de alguma? Querem partilhar aqui connosco?

BEIJO MEU PARA TI!

BEIJOS!!

domingo, fevereiro 15, 2009

O medo do escuro...

Naquele dia não sei bem porquê, pela primeira vez senti um medo quase absurdo da escuridão. Recordo degrau a degrau as escadas que contei ao subir. Trinta degraus!
A Tátá mandou-me ao quarto para corrigir os deveres e subi a cantarolar, os trinta degraus de luzes acesas… Lá fora, a chuva também cantarolava nas caleiras rotas, e naquela pocinha do quintal onde à tarde chapinei os pés, apesar de gelada com a Ana a ralhar da cozinha:
“-Mariazinha, a menina, ainda vai ficar doente! Saia já da chuva!”
Sentei-me no velho sofá cor-de-rosa que me abraçava, com a tábua de costureira, encaixada no tronco, e que todos, pelos rabiscos que lá deixamos, usamos como prancheta, e lá me deixei ficar…
Então ouvi a Tátá:

“- Maria, é preciso tanto tempo?”
“E agora? Tenho que descer! -Ai! Tenho que descer!...”
E os pés pesavam chumbo, e as mãos crispavam-se nos braços acolhedores do “meu” sofá uterino, tão cor-de-rosa e quente! Porquê aquele medo? Pensar que quando saísse do sofá e do quarto teria de apagar a luz, e que atrás de mim restaria aquele escuro onde divisava a sombra gigantesca dos velhos móveis, e os seus sussurros…! Que pavor! E de novo:
“- Que estás a fazer Mariazinha? Estou à tua espera!”, ouvi a Tátá…
Então, galguei aqueles infindáveis trinta degraus em correria cega e louca, a cantar em altos gritos!
“Menina, que gritaria vem a ser essa? Tenha modos! Tenha maneiras!”.
Sempre que me tratava por menina, a coisa ficava feia…, e o meu cantar baixou o tom…Inventei qualquer desculpa esfarrapada que já nem lembro, se surtiu qualquer efeito, não é fácil enganar a Tátá…
Desde essa altura, seja qual for o “buraco negro” em que julgo me ir perder esbracejo e canto, canto sempre, seja de que modo for, para calar as vozes da escuridão que me envolve.
BEIJO MEU PARA TI!!
BEIJOS!!!

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

como uma árvore...

Uma carícia na alma
com um só olhar,
um poema esboçado
num sorriso espontâneo.
Como uma maré alta
cheia de vida... sonhos
e ternas esperanças,
vi-te quase por inteiro.
Paciente espero calada.
Sei os segredos da vida
como uma flor ou como uma águia.
E como uma árvore
de pé e frondosa
estendo os braços…
Tua grandeza o requer.
PARA TI UM BEIJO MEU!
BEIJOS!!

sábado, fevereiro 07, 2009

anos por anos...

Anos por anos que serão trepados, em escarpas de cascalho e areias... a ilusão de sonhos consumados… Prédios que se elevam rigorosos... espaços geométricos castanhos num fundo azul... A linha exacta que separa as duas cores… Aqui e ali, um verde salpicado… Do alto de duas cadeiras de esplanada um jovem casal dá as mãos e enfrenta o Mundo... Sorriem felizes para o calor que nasce entre eles... Ouve-se ao longe uma valsa... uma voz que se esconde... uma onda…que se difunde… deles vem o suave encanto da luz... do aroma... da cor... no beijo que esboçam em seus lábios…
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!

domingo, janeiro 18, 2009

Vem!

Entra... fecha a porta.... Aproxima-te sem dizer nada... Vem! Quero ver-te, preciso olhar-te olhos nos olhos e neles espelhar-me… mergulhar no profundo mar bravio que esconde o teu silêncio e conheço de memória… Olho-te com o mesmo olhar primeiro do tamanho da eternidade…Trazes contigo a brisa de um sorriso que afasta as nuvens negras da ausência...Vem! Entra… abraça-me e beija-me... as tuas carícias trazem-me serenidade e equilíbrio. Acostada no oásis do teu peito encontro-me.
PARA TI UM BEIJO MEU!
BEIJOS!!

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Na vida aprendi...

Na vida aprendi,
que subir não é crescer,
que olhar nem sempre é ver
nem escutar é ouvir…
Que chorar não é sentir
e habituar-se, querer...
Na vida aprendi
que estar só não é saudade,
que cobardia não é paz
nem é ser feliz, sorrir…
Aprendi, que mentir
é silenciar a verdade...
Na vida aprendi
que um sonho de amor
floresce como uma flor
como ela pode morrer,
mas no seu breve existir,
deu o seu aroma e cor...
Na vida aprendi
humildade não é submissão,
a humildade é um dom
que se pode confundir...
Não é o mesmo ser servil
ou ser um bom servidor.
Na vida aprendi
que a falsa caridade
do ser humano que dá
esperando receber,
é presumir de bondade...
Na vida aprendi
a conhecer e pensar
e entendi que no saber
muito mais importante
que tudo aquilo que vi
é o que me falta ver!
BEIJO MEU PARA TI!!
BEIJOS!!!

domingo, agosto 17, 2008

Minhas Gaivotas

Brincando ontem meio nu, pela areia,
minha infância pouco a pouco vi passar,
ela fugiu sem que eu me desse conta,
sonhando com voar.
Ir brincando com o vento,
além sobre a agua um momento.
Viver sonhando, à beira do mar,
junto das rochas,
um dia aprendi a voar,
aprendi a voar
como as minhas gaivotas.
E fugi longe dali
naquele dia,
sem olhar para trás julguei
que nunca mais voltaria.
Encontrei um cardo, uma flor,
um sonho, um amor, uma tristeza,
fui sozinho e logo fomos dois,
um beijo, um adeus, todo começa.
Outra canção, outra ilusão, outras coisas,
e farto já de andar
voltei a procurar
minhas gaivotas.
E não as vi,
elas também se foram
desse lugar que um dia nos juntou,
fiquei sozinho buscando na areia,
a infância que já passou.
Elas não hão de voltar mais,
elas a deixaram para trás,
debaixo da areia, à beira do mar,
ao lado das rochas
que não sabem voar,
que não sabem voar
como as minhas gaivotas.
E assim vou, mais triste vou
que nesse dia,
quando sem olhar para trás julguei
que nunca mais voltaria.
Joan Manuel Serrat
ATÉ JÁ!
BEIJOS!!