sábado, dezembro 08, 2007

Milagre da concepção...

Cresce no ventre
pequena concha,
no meio de mares e amores ...
Pequeno grão… esconde-se…
debaixo de um tecido
numa concavidade...
Concebido… cresce… sai…
nada o detém…
Fonte de palavras ternas…
sonhos… saudades…
um coração que bate...
Quase se escuta seu pranto!
Ouve-se chorar por vezes…
entre ruídos… entre sombras…
Logo que nasce observa…
escuta … sente… toca…
a profetizada sentença…
A vida que o acolhe!


D. João IV no ano de 1646 nas cortes de Lisboa coroou Nossa Senhora da Conceição e considerou-a padroeira do Reino de Portugal e prometeu-lhe o tributo de 50 cruzados de ouro por ano em seu nome, e dos seus sucessores. Os estudantes da Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, por ordem do rei deveriam jurar defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Já D. João I louvou a Virgem ao erigir o Mosteiro da Batalha e D. Nuno Álvares Pereira o convento do Carmo. A instituição da ordem militar de Nossa Senhora da Conceição por D. João VI sintetiza o culto de vários séculos em Portugal. Estas são as razões que me levam a considerar que deveria ser 8 de Dezembro a data para comemorar o Dia da Mãe no nosso país apesar de não ser nem católica nem monárquica. Dedico este poema a todas as mães!


BEIJO ESPECIAL PARA TI!
BEIJOS!!!

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Não houve palavras...

Um fim de tarde,
cruzamos nossos olhos
não houve palavras…
O amor falou por nós,
alma e coração se fundiram
Nesse primeiro encontro
entregamo-nos... tu a mim… eu a ti…
Não houve palavras
os olhares nos bastaram
mesmo quando nossos corpos
transpiravam amor…
Não houve palavras
para sentir o calor de teu abraço
quando nossos olhos
se afastavam…
Não foram necessárias palavras
para dizermos
Amo-te.


BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!

domingo, dezembro 02, 2007

Leitura de Dezembro "Kafka à beira-mar"

A sugestão de leitura de Dezembro é uma das leituras mais fantásticas, surpreendentes, hipnotizantes que fiz nos últimos tempos. Kafka à beira–mar de Haruki Murakami é um romance com mais de seiscentas páginas que nos conta em paralelo as aventuras de Kafka Tamura, um jovem que no dia em que faz 15 anos, decide fugir de casa. Vive com o pai, escultor bem sucedido e com quem tem uma relação fria e distante que lhe faz uma profecia que o perturba e ensombra. A mãe e a irmã mais velha saíram de casa vários anos antes. Esquecido das suas feições parte para uma cidade que não conhece e refugia-se no seu local preferido, uma biblioteca, um espaço acolhedor onde encontra as mais diversas leituras. Protegido por Oshima com mantém longas conversas e a própria directora da biblioteca o seu romance da adolescência, Kafka descobre o mundo ao descobrir quem verdadeiramente é. Nakata, um idoso cuja infância terá sido marcada por um estranho incidente durante a guerra. Fez parte de uma excursão escolar à montanha, durante a qual todos desmaiam simultaneamente excepto a professora que os levou. Os colegas recuperem poucas horas depois, mas Nakata permanece inconsciente durante vários dias, no final dos quais acorda sem memória, sem recordações ou conhecimentos. Atinge a velhice analfabeto dependente de uma mísera pensão do governo e tem um estranho part-time - encontrar gatos perdidos com quem consegue conversar melhor do que com as pessoas. Na suas deambulações conhece Hoshino um camionista de longo curso que nele vê o seu avô e que o ajuda na procura da pedra mágica que ligará toda a trama. Neste romance as duas personagens deambulam constantemente entre o sonho e a realidade e influenciam-se num plano irreal em que o tempo não conta. É uma história feita de coincidências, personagens peculiares, gatos que falam e peixe que chove do céu. O autor, não fala do fantástico, usa o fantástico como metáfora numa escrita simples e poética. Haruki Murakami obriga-nos a pensar no sentido das palavras, e o livro apesar do seu volume prende-nos da primeira à última página.
E o 5º parágrafo da página 161 (a pedido de dois grandes amigos Peter doConversas de Xaxa 4 e SOPHIAMAR) diz o seguinte:
“Seguiu-o a uma distância razoável. Passaram por uma série de cruzamentos e depois abandonaram a zona comercial. O cão não ligou nenhuma aos sinais para peões. Como as ruas não eram muito largas e os carros não andavam depressa, deixara de ser assim tão perigoso atravessar com o vermelho. Os condutores eram obrigados a colocar o pé no travão ao ver aquele animal enorme a aparecer diante deles. O cão, esse, limitava-se a mostrar os dentes, olhava fixamente para os automobilistas em ar de desafio e atravessava a rua sem pressas. O cão conhecia perfeitamente o significado dos sinais, essa era a sensação que Nakata tinha, mas ignorava-os de propósito. Decididamente era um cão que estava habituado a levar a sua avante.”
In, Kafka à beira-mar, Haruki Murakami, tradução de Maria João Lourenço, 5ª edição, Janeiro de 2007, Casa das Letras.
BOA LEITURA!
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!