sexta-feira, novembro 09, 2007

A Papoila... as lendas... e o Armistício...

A Papoila (Papaver rhoeas) é uma das plantas mais antigas e são várias as lendas com ela relacionadas… Quando os primeiros homens e mulheres apareceram na Terra, a Natureza teve de encarregar-se deles… e deu-lhes a Noite para lhes proporcionar momentos de descanso... sem nada que fazer... o problema foi que as pessoas não adormeciam e a Noite sentindo-se incapaz de cumprir a tarefa que lhe fora destinada começou a chorar lágrimas de orvalho que comoveram a Natureza… Enviou-lhe um ajudante, o Sono, para lhe tornar a tarefa mais fácil… A Noite e o Sono apaixonaram-se e casaram…mas, nem mesmo com os cuidados de ambos as pessoas conseguiam dormir… então a Noite concebeu e deu ao Sono filhos… os Sonhos para que os ajudassem na tarefa de cuidar do descanso das pessoas… porém, nem os Sonhos conseguiram fazer com que um homem preocupado dormisse, o que provocou a fúria do Sono… Enraivecido, atirou ao chão a sua varinha de condão e voou… com cuidado, os Sonhos embrulharam-na na Noite, e a varinha de condão criou raízes... e caules verdes que se abriram em singelas flores vermelhas… as papoilas... Na Grécia era dedicada a Hipnos, o deus do sono, e a Morfeu, o deus dos sonhos... Os Romanos dedicavam-na a Ceres… A deusa vagueava pela Terra sem conseguir encontrar nada que a interessasse. Os outros deuses cansados da sua incessante busca decidiram cultivar papoilas. Um dia Ceres reparou nelas, colheu-as e adormeceu num sono profundo… Ao acordar reparou que havia ainda muitas para colher… Desde então que o florescimento das papoilas está relacionado com a época das colheitas. Na Ucrânia consideram a flor símbolo do Amor e da Beleza. Na Alemanha símboloza a Fertilidade. Na Sibéria espalham papoilas nas pernas dos recém-casados, para que tenham uma família feliz e numerosa.
Na Grã-Bretanha comemora-se a 11 de Novembro The Remenbrance Day ou The Poppy Day em memória dos combatentes que lutaram ou ainda lutam pelo seu país, e nesta altura a maioria dos seus habitantes usa uma papoila na lapela. A 11 de Novembro de 1918 foi assinado o armistício que pôs fim à Primeira Grande Guerra. E porquê a papoila? Esta flor propagou-se muito nos campos de batalha da Europa depois da guerra... As suas sementes germinam melhor nos solos recém cultivados, o que leva a serem tão frequente nos campos de trigo… mas o uso de herbicidas fez com que se tornasse numa flor da borda dos caminhos...
As perturbações dos solos revolvidos pelos combates e bombardeamentos e os incêndios provocados causaram condições ideais para o seu crescimento… nasceram num número muito vasto e pintaram manchas de beleza delicada em áreas que tinham assistido a batalhas e cenas trágicas e terríveis. Meu avô paterno combateu nas linhas da frente como médico e foi condecorado com a Cruz de Guerra.
PARA TI UM BEIJO MEU!
BEIJOS!!!

19 comentários:

Paula Raposo disse...

Gostei imenso desta lenda linda! Eu adoro papoilas. Nunca te tinha dito, pois não? Um bom fim de semana e beijinhos.

Peter disse...

Papoila

Gostei imenso do texto pelo que com ele aprendi, o que só demonstra a minha ignorância.
Aqui há uns anos, num "meeting", o adido militar britânico, devidamente fardado, apareceu com essa florzinha em papel junto das fitas das condecorações. Perguntei-lhe o significado da mesma e ele
deu-me a explicação que acabei de ler no teu texto.

Brancamar disse...

Sempre adorei papoilas,cresci perto de uma quinta de freiras franciscanas, onde elas abundavam e junto de alguns campos de lavoura, que as tinham sempre na altura das colheitas,como diz o teu texto.Que bom foi relembrar esses tempos! Este ano vi nascerem duas ou três na berma da estrada, já vão sendo mais raras.Gostei imenso de conhecer as lendas.Fiquei mais rica.Este mundo da blogosfera também tem essa utilidade - aprendermos uns com os outros.
Volto logo que possa.
Bj

Sol da meia noite disse...

Que linda a história das papoilas...

Sempre adorei papoilas. Lembro-me de em pequenina ir passear pelos campos com o meu pai, e de no tempo das papoilas, fazer com elas um ramo que oferecia à minha mãe.

Obrigada por tudo quanto neste texto partilhaste.
*

Palavras ao vento disse...

A lenda e a história real sobre a papoila deixou- me em estado meditativo... a grande planicie alentejana salpicada de papoilas entre os trigais e os verdes montados.

Uma lágrima de saudade... tombou!

Obrigada minha querida.. por partillhares tão belo e explicito texto connosco.

Bom fim de semana.

Beijinhos.

Pitanga disse...

Que linda a história sobre as papoilas. Hoje também apresento no Pitanga a minha flor.

beijos de boa noite e bons sonhos

Chahy disse...

Eu vim recentemente de Londres e posso dizer que trouxe uma papoila para usar na lapela. Algumas das curiosidades da papoila já sabia, outra não... tou a pensar em ir apanhar um ramito e espalhar na cama, lá em casa. ;)

Papoila disse...

Gostei de saber um pouco mais sobre esta flor que adoro tanto.... Muito interessante.

Beijinhos
BF

serenidade disse...

Digamos que depois da tempestade / guerra, vem sempre a bonança / o florescer da madrugada:)

Serenos sorrisos

rendadebilros disse...

A tua veia poética , hoje, para nos lembrares este dia - homenagem ao teu Avô...
Já estive por esta altura em Inglaterra e vi com os meus próprios olhos o orgulho com que , sobretudo os veteranos usavam uma papoila na lapela . Hoje está explicado no "Público" a confirmar as tuas explicações , se isso fosse necessário, além de parte do poema que o médico canadiano John Mccrae escreveu num momento dessa fatídica Guerra , como são todas... Aqui fica o excerto( a partir de "O Público" ) com a tua permissão:
“Nos campos da Flandres crescem papoilas/entre as cruzes que, fila a fila, marcam o nosso lugar (...)”, “se trairdes a fé de nós que morremos/Jamais dormiremos, ainda que cresçam papoilas/ Nos campos da Flandres”.

Grande beijo e as minhas homenagens ao Teu Avô e a todos os que nas Guerras lutaram e lutam.

APC disse...

Belíssimas histórias!... Como é bom papoilar contigo! :-)
A flor, delicada e selvagem; frágil e fértil; pura e opiácea, é plena de simblogia e de beleza. Das tuas palavras subjaz isso e mais: também um importante quê da tua linhagem... Como médica e como ser humano. Como Papoila! Gostei muito. Deixo-te um grande abraço. Não tenho brincado muito aos blogs, mas nunca esqueço este aqui.

A Túlipa disse...

Gostei, gosto de me informar e por isso adorei o texto. =] talvez um dia procure sobrer túlipas. ;]

Beijinho

Agulheta disse...

Amiga Papoila. Adorei este texto,bem elaborado que nos dá a conhecer,coisas que muitas vezes nada sabemos acerca delas,sempre gostei de "Papoilas" quando vamos para a pesca no Maio e junho, em geral vimos muitas pelas barragems ou seja nos campos,muito lindo essa paisagem no meio do verde esta linda flor vermelha mais para o fogo,adorei quem sabe se elas representam o sangue dos soldados que se bateram na guerra!
Beijo amiga de amizade bom Domingo LISA

Pena disse...

Doce e linda Amiga Papoila:
Este seu poderoso texto sobre as papoilas, que li do principio ao fim, sem fastio ou cansaço, explica a profundidade e o valor das Papoilas que de si brotam com encanto e delícia. É uma magnífica e maravilhosa Papoila que se deve respeitar, venerar e simpatizar pelo óbvio sentimento e emoção que coloca em tudo o que maravilhosamente faz e, por existir em nós.
Admirável e sublime investigação/pesquisa que tudo e todos cativa e encanta.
É uma bela Papoila de sonho!
Obrigado pela sua amizade e o elogio, sem falsidade, pelo seu enorme poder de agradar traduzido e explicado no que escreve com um admirável sentir e estar.
Parabéns pelo que é e concebe.
Grato por ser minha amiga.
Com enorme amizade e carinho.
Beijinhos amigos de imensa estima.
O sempre presente aqui.

pena

katrina disse...

Olá! Aprendi mais umas coisinhas por aqui! Obrigado!JInhuzz

elvira carvalho disse...

Gostei muito do texto que me deu a conhecer a história das papoilas que eu não conhecia. E adorei ouvir Isabel Silvestre, de quem sou fã.
Um abraço e uma boa semana.

adc disse...

Fantástico! Adorei, mesmo.

bjs

Miudaaa disse...

Gosteiii, muito de ler esta lenda que hoje ofereceste a quem te visita.
Um Beijo de Obrigada.
miudaaa

António disse...

Querida Papoila!
Um texto com uma temática pouco habitual em ti.
Está bem escrito e é muito agradável de ler, tendo uma interessante componente pedagógica.
E que vivam as Papoilas!...

Beijinhos