segunda-feira, junho 01, 2009

Aos Olhos De Deus, leitura de Junho

AOS OLHOS de DEUS passa-se em 1514 o ano em que D. Manuel I decide enviar ao Papa Leão X uma grande embaixada com as riquezas trazidas das descobertas dos portugueses no Oriente para demonstrar o seu poder. A narrativa desenvolve-se desde a chegada das naus que para além de tesouros traziam animais exóticos de África e da Índia que nunca ninguém tinha visto. O momento do desembarque, torna-se um misto de curiosidade e pânico que atravessa todas as classes sociais, o povo, a nobreza e o clero. Todos eles reagiram da mesma forma quando pela primeira vez viram um elefante. Enquanto observam do Paço a construção do Mosteiro dos Jerónimos (cuja primeira pedra fora lançada a 6 de Janeiro de 1502) e que D. Manuel I queria transformar no símbolo do seu poder absoluto, o rei, encarrega D. Diogo Pacheco seu amigo pessoal, de escrever e proferir a oração de Obediência ao Sumo Pontífice, o momento alto da embaixada a Roma. D. Manuel I, tinha um espírito empreendedor e uma extraordinária sageza política, mas era inculto e mal sabia falar ao povo e à corte. Por seu lado, Giovanni Medici, o Papa Leão X, elevado à condição de bispo em segredo aos 14 anos, pelo Papa Inocêncio VIII, sofre a influência política e o gosto pelo fausto da sua familia. O gosto pelas mulheres formosas, pelo fausto e pela luxúria para além de ambos terem um aspecto físico horrendo são as únicas afinidades entre D. Manuel I e Leão X. Em tudo o resto, nomeadamente o gosto pelo saber, nada tinham em comum. A comitiva parte de Lisboa em cinco embarcações com o seu tesouro valiosíssimo e após atribulada viagem o cortejo chega a Roma onde é recebido sumptuosamente pelas figuras profanas e religiosas da época. Este fausto contrasta com as condições de dor e miséria do povo. A narrativa conta-nos o amor de D. Diogo e Raquel Aboab uma jovem judia que ele salvou da fogueira num auto de fé em Lisboa, em que seus pais foram mortos. Entre a fé e a cegueira do poder, a aparência e a essência da condição humana, o sentido de missão e a vaidade, só o amor poderá ser redentor. Aos olhos de Deus as personalidades da história não ficarão impunes.
Tal como Rosa Brava, este romance de José Manuel Saraiva não me decepcionou e foi uma leitura aliciante.

AOS OLHOS de DEUS, José Manuel Saraiva, Oficina do Livro, Lisboa , 2008
BOA LEITURA!
BEIJOS!!

11 comentários:

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Sarava!


...obra a ler...


beijocas;)

Peter disse...

Não conheço a obra do autor. Acresce que não tenho tido tempo. Neste momento estou a ler "D'este viver aqui neste papel descripto - cartas da guerra" de António Lobo Antunes para a mulher. É uma compilação das filhas Maria José Lobo Antunes e Joana Lobo Antunes, que me traz à memória o que passei.

Talvez te traga recordações do Toto.

Boa semana

Pena disse...

Linda Amiga:
Um livro que já registei no minhas escolhas, com sinceridade. Vindo de si, é leitura de puro sonho, com toda a certeza.
Uma obra e um nome a reter em mim: "Aos Olhos de Deus" de José Manuel Saraiva.
"... A narrativa conta-nos o amor de D. Diogo e Raquel Aboab uma jovem judia que ele salvou da fogueira num auto de fé em Lisboa, em que seus pais foram mortos. Entre a fé e a cegueira do poder, a aparência e a essência da condição humana, o sentido de missão e a vaidade, só o amor poderá ser redentor. Aos olhos de Deus as personalidades da história não ficarão impunes.
Tal como Rosa Brava, este romance de José Manuel Saraiva não me decepcionou e foi uma leitura aliciante..."

Assinalei.
Sempre a adorar passar por aqui pela beleza inconfundível do seu soberbo e delicioso sentir...
Beijinhos amigos de imenso respeito e estima.

pena

Bem-Haja pela preciosidade humana que é.
Aqui, não se perde tempo. Adora-se o fascinante momento de uma pessoa culta, sensível e linda: VOCÊ!

lilás disse...

Já está na agenda para leitura de férias.
Obrigada pela sugestão
Bjs

Agulheta disse...

Querida amiga.Conheço pouco deste autor,mas como as férias se aproximam terei mais tempo para o fazer,sentada junto ao mar que tanto gosto,e ler e colocar as coisas nos lugares"leituras" que não tenho tido tempo para o fazer.
Beijinho no teu coração

Ana Martins disse...

Olá Papoila,
a sugestão parece-me excelente!

Beijinhos,
Ana Martins

rendadebilros disse...

Estás sempre a par de boas leituras. Gostei muito de Rosa Brava, por isso já sei qual vai ser a próxima compra . Ando a ler "O jogo do anjo" de Carlos Ruiz Zafón, depois de "a viagem do elefante" que me deixou muito cansada, a viagem foi estafante...

(a criançada anda mais na rua com as educadoras e professoras, mas não as vejo brincar nem ao lencinho nem saltar à corda, nem ao pião, nem...os "auxiliares" de brincadeira são mais sofisticados, mas , desde que estejam felizes...

Beijos.

poetaeusou . . . disse...

*
vou seguir a tua dica,
e adquirir o livro,
,
ainda a Embaixada ao Vaticano,
sabias que o termo Portoghese
na Itália é sinonimo de borlista,
de graça, “ chupista” etc,
devido a um “Edital” feito na Época,
em que isentava os Portugueses
de qualquer pagamento durante
a permanência da Embaixada
em terras italianas ?
,

Conchinhas serenas, envio-te,
,
*

helia disse...

Uma boa sugestão de leitura, e este pequeno texto aguça-nos a curiosidade. Também ao ler o comentário anterior , fiquei a saber que na Itália o termo Portoghese era sinónimo de "borlista".Será que ainda hoje é?

O Profeta disse...

Mil caminhos
Esta viagem sem velas nem vento
Este barco na bolina das ondas
Esta chuva miúda transborda sentimento

Amarras prendem o gesto
Arrocham um coração que bate incerto
Uma gaivota retoca as penas com espuma
Levanta voo em rumo concreto

Partilha comigo “100 Anos de Ilusão”


Mágico beijo

Lou Lou disse...

Ora aqui fica a sugestão...e vou aproveita-la para umas das minhas próximas leituras.

Ainda não tinha passado por cá...gostei do teu blog....grande música que tens....

Beijo.