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quarta-feira, junho 24, 2009

Os 100 anos do café Piolho... Parabéns!

Piolho para os amigos, é um dos cafés mais antigos do Porto. De seu nome Âncora D`Ouro, a funcionar desde 1909, foi rebaptizado por estudantes de Medicina que acharam Piolho mais apropriado. É uma das referências do Porto, quer pela sua história (que se lê através das mensagens dos estudantes afixadas nas paredes) quer pelas suas tertúlias de diversas gerações, local de encontro de estudantes associativistas resistentes à ditadura.
A 26 de Junho de 2009 o Piolho comemora 100 anos.

Pequeno Peter Pan como cresceste!
As causas nobres, que já venceste!
Onde estão os dias de brincadeira
e as longas noites de amena cavaqueira...
Os sonhos esconderam-se...
Mas de que maneira?
Como um pássaro livre fugiste um dia
por entre pombas para outra cidade.
Na busca de esquecer a filosofia,
o amor a religião, uma boa conversa.
O vinho repartido um ou outro
desejo reprimido...
Sem esquecer o fogo da liberdade...
Os beijos não se perdem meu amigo,
guardam-se no coração,
como os abraços e aquela canção...
Nesta cidade que perdeu a Primavera,
querido amigo... minha alma te espera
para compartilhar uma nova era
a filosofia... o amor... fugidos à morte...
Aqui, deitados à sorte...
BEIJO MEU PARA TI!
BEIJOS!!!

quinta-feira, julho 10, 2008

"O médico que só sabe Medicina, nem Medicina sabe"

Abel de Lima Salazar (1889-1946), nasceu em Guimarães a 19 de Julho e viveu em S. Mamede Infesta, concelho de Matosinhos, durante mais de 30 anos, na casa que tem o seu nome, e que está transformada em Museu.
Terminou com 20 valores o Curso de Medicina e doutorou-se em 1915, na Faculdade de Medicina do Porto, com um Ensaio de Psicologia Filosófica, dissertação muito influenciada por Taine, a quem o júri atribuiu a classificação máxima.
Em 1919 era o professor da cadeira de Histologia da Faculdade de Medicina do Porto e foi o fundador e director do Instituto de Histologia e Embriologia, um centro de estudos muito modesto onde concebeu e realizou uma série de trabalhos de investigação notáveis, de que se destacam as pesquisas relativas à estrutura e evolução do ovário. Introduz concepções científicas próprias sobre a atrésia do folículo de Graaf, estabelece as bases da evolução pós-fetal do ovário e descreve os seus tipos principais.

Criou novos métodos de técnica histológica e, entre eles, o método tanino-férrico, o “método Salazar», que o irá tornar mundialmente conhecido.
Sempre defendeu a prioridade da educação sobre o ensino, e assim mantém o Laboratório de Histologia permanentemente aberto aos alunos, tanto de dia como de noite, e facilita o desenvolvimento da observação, o convite à reflexão e à iniciativa pessoal, como uma outra forma de alcançar o conhecimento, em suma as bases da investigação.
O magistério de Abel Salazar era aberto ao diálogo com os seus alunos, com o objectivo de despertar o entusiasmo criador.
Desenvolveu métodos para estimular a inquietação científica dos seus alunos, procurando desenvolver as qualidades intelectuais e humanas de cada um. Ensinou-os a serem críticos em face do conhecimento estabelecido, porque sabia bem como muito dele era transitório.
Defendia a supressão da avaliação quantitativa e a redução ao mínimo da intervenção do professor na aprendizagem.
Em 6 de Julho de 1933, ingressou na loja maçónica do Porto «Lux et Vita», uma das lojas do Grande Oriente Lusitano Unido.
A 13 de Maio de 1935, o Governo do Estado Novo, publicou o famoso decreto – lei nº 25317, de modo a dar uma aparência de legitimidade às perseguições políticas que planeava.
Os dois primeiros artigos desse decreto-lei diziam o seguinte:
«Art. 1º. Os funcionários públicos ou empregados, civis ou militares, que tenham revelado ou revelem espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política, ou não dêem garantia de cooperar na realização dos fins superiores do Estado, serão aposentados ou reformados, se a isso tiverem direito, ou demitidos em caso contrário.
Art. 2º. Os indivíduos que se encontrarem nas condições do artigo anterior não poderão ser nomeados ou contratados para quaisquer cargos públicos nem admitidos a concurso para provimento neles. Neste mesmo ano, começou a ser perseguido por razões de ordem política e foi compulsivamente afastado da regência da sua cátedra.
Apesar de expulso da Faculdade e das múltiplas dificuldades que lhe foram levantadas, publicou muitos trabalhos de índole científica, de marcada originalidade e alguns de grande repercussão no estrangeiro, desenvolvidos num pequeníssimo laboratório instalado num vão das escadas da Faculdade de Farmácia.
Dizia de si próprio:
” Esclareço que nunca fui um político; toda a minha vida me ocupei unicamente da actividade intelectual.”
Toda a sua actividade intelectual revela o democrata enérgico e activo, tantas vezes revoltado, na sua enorme ânsia de verdade e justiça social.
Além de cientista de renome internacional, Abel Salazar, notabilizou-se como pedagogo, artista plástico, ensaísta, crítico, filósofo criador e sistematizador, divulgador de doutrinas e ideais progressistas.
«Pela variedade e brilho dos dotes, inclusive os científicos, aparentava-se a alguns dos grandes artistas da Renascença», disse dele Ferreira de Castro.
São várias as suas obras escritas:
Ensaio de Psicologia Filosófica, 1915.
Notas sobre a Filosofia da Arte, 1933. Está reeditado desde 2005.
A Posição Actual da Ciência, da Filosofia e da Religião, 1934
Evolução Histórica do Pensamento, 1934
A Socialização da Ciência, 1933
A Função Social da Universidade, 1934
Uma Primavera em Itália, 1934
Um Estio na Alemanha, 1935
Digressões em Portugal, 1935
A Ciência e o Momento Actual, 1938
Reflexões sobre a História, 1938
Paris em 1934, 1938
Digressões em Portugal, 1938
Recordações do Minho Arcaico, 1939 , reeditado desde 2002
O Que é a Arte? 1940 , está reditado desde 2003
A Crise da Europa, 1942
Henrique Pousão, 1947
Como artista plástico Abel Salazar praticou várias técnicas, e esta é uma das facetas mais notáveis do seu temperamento, da sua criatividade e da sua capacidade multifacetada. Reconhecido como pintor e desenhador, ainda tem uma pujante e qualificada obra como caricaturista, gravador e escultor. A mulher em todas as suas actividades, é a grande musa inspiradora do artista na sua obra. Dedica-se com grande originalidade, aos cobres martelados. Numa execução pessoal, repuxando-os e combinando a acção dos ácidos com o fogo, dá, aos nus femininos, uma nova sensualidade. Os pratos de cobre que Abel Salazar cria são peças que despertam um fascínio incomparável.
Foi também crítico de Arte de que se evidenciam os seus exaustivos estudos sobre o pintor Henrique Pousão, as suas apreciações sobre Soares dos Reis, e Columbano entre tantas outras figuras de artistas nacionais e estrangeiros, e os seus escritos sobre a Filosofia da Arte.
O seu pensamento diversificado manifesta-se em «A Crise da Europa», estudos de divulgação, interpretação e crítica sobre «O pensamento positivo contemporâneo», sobre a filosofia das ciências e das religiões, a maior parte deles inéditos ou esparsos em jornais e revistas nacionais ou estrangeiros (principalmente em «O Diabo», «Sol Nascente», «O Trabalho», «Esfera» e «Seara Nova»), escritos do mais alto valor intelectual que carecem ser urgentemente reunidos, sistematizados e estudados por equipas de especialistas. Neste sector, são de recordar as suas obras: «A Socialização da Ciência», «O Condicionalismo Limitante e a Ciência», «Influência da Totalização da Experiência sobre a Evolução do Pensamento», «A Ciência e o Direito», «Indivíduo e Colectividade», «Clerocracia», «História Científica das Religiões».
Abel Salazar falece em Lisboa em 29 de Dezembro de 1946. O corpo segue para o Porto, mas o préstito funebre é desviado pela polícia política, para não passar por Coimbra. Chega de noite ao Porto, seguindo logo para o Cemitério do Prado do Repouso, onde a urna ficou depositada. No dia seguinte, realiza-se o funeral, que parte sem féretro da Casa dos Jornalistas e vai engrossando chegando ao cemitério um grande cortejo, onde uma multidão, formada por oposicionistas de diversas vertentes, lhe presta homenagem.
Discursam o republicano histórico Dr. Eduardo Santos Silva e o Prof. Ruy Luís Gomes que, seguidamente, é preso. No seu funeral encontram-se portugueses de
todas as condições, numa verdadeira consagração nacional.
Após a morte de Abel Salazar, em 1946, foi organizada a Fundação Abel Salazar, por iniciativa do Prof. Ruy Luís Gomes e de um grupo de Amigos, que promoveu a abertura ao público de parte da Casa-Museu, com a exposição da sua obra artística (1950).
Aí, estão expostas as variadas expressões da Arte Viva, marcadamente pessoal, profundamente humana e plena de beleza, de Abel Salazar. Para preservar a Casa, o espólio por ele deixado, e vencer a sistemática oposição das autoridades da época para legalizar aquela Fundação, esta passou a constituir-se, em cooperativa (1963) sob a presidência do Prof. Alberto Saavedra, onde promoveu iniciativas de vulto. As reuniões deste grupo de mulheres e homens, que constituíam os órgão de direcção, na maioria seus amigos pessoais, e opositores ao regime conhecidos, efectuavam-se semanalmente em casa de meu avô materno, a casa da minha infância. Abel Salazar faz parte da minha memória embora tenha nascido já depois da sua morte.
Devido, também, à grande dedicação que esta "obra" sempre mereceu ao Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, este conseguiu que aqu
ela Instituição comprasse a casa e o seu recheio, após a morte da viúva de Abel Salazar (1965) e adquirisse uma valiosa colecção de suas obras artísticas, pertencentes à sua irmã (1971).
Nesse período foram executadas obras de restauro que a adaptaram a
Casa Museu e foi construído no jardim um Pavilhão de Exposições.
Em 31 de Maio de 1975, numa superior atitude de isenção, a Fundação Gulbenkian fez a doação da Casa-Museu, à Universidade do Porto. Em 2005 esta foi totalmente remodelada.
De 10 de Junho a 28 de Julho de 2008, na Biblioteca Municipal do Porto está aberta ao público a exposição Abel Salazar, O Desenhador Compulsivo, numa organização conjunta da Associação para a Medicina, as Artes e as Ideias, da Casa Museu Abel Salazar e da Câmara Municipal do Porto. Do programa a 19 de Julho destaco pelas 11 horas a visita à Casa-Museu guiada pela sua directora, Drª Luísa Garcia Fernandes e palas 16 horas a Homenagem da Cidade, ancorada no Prof. Nuno Grande, nas instituições que preservam a sua memória e em testemunhos vividos por seua contemporâneos.
Este é o meu tributo a esta figura impar do século XX em Portugal.
BEIJOS!!

terça-feira, outubro 09, 2007

Nos 40 anos da morte de Che... HASTA SIEMPRE!

Ernesto Guevara Lynch de la Serna (Che Guevara) nasce em Rosario na Argentina a 14 de Junho de 1928. Entra em Medicina em 1947 por sofrer de asma desde a infância. Em1952, com o seu amigo Alberto Granados, percorre o sul da Argentina, o Chile, o Peru, a Colômbia e a Venezuela. Interessa-se por tudo, regressa a Buenos Aires e termina o curso em1953. Nesse mesmo ano inicia uma segunda viagem pela América Latina e visita a Bolívia, o Peru, o Equador, a Colômbia, o Panamá, a Costa Rica, El Salvador e a Guatemala. Conhece as minas de cobre, as povoações índias e as leprosarias, e o seu profundo humanismo aumenta, tal como as suas firmes convicções anti-imperialistas. Em 1954 parte para o México onde trabalha como fotógrafo e passa a ser apelidado de Che por usar frequentemente essa expressão ao falar com os outros. Conhece Raul Castro e dois meses depois Fidel e começam a organizar a guerrilha. Em 1956 com Fidel e mais 82 guerrilheiros parte para Cuba para assaltar a cadeia política de La Havana como médico do grupo. Nesse ataque só sobreviveriam 12 camaradas e troca a sua mala de médico pela carabina e vai para a Sierra Maestra como guerrilheiro. No dia 31 de Dezembro de 1958, cai o ditador cubano Fulgencio Batista e Che Guevara transforma-se na mão direita de Fidel Castro no novo governo de Cuba. É nomeado Ministro da Indústria e posteriormente Presidente do Banco Nacional. Fiel defensor do internacionalismo revolucionário sai de Cuba e em 1962 parte para o Congo que deixa em 1965 e vai para a Bolívia. É capturado em La Higuera a 8, e abatido a 9 de Outubro de 1967. Os seus restos mortais repousam em Santa Clara desde 1997 no seu mausoléu. A fotografia de Alberto Korda captada em Março de 1960, só é divulgada em 1967 e considera-se que representa o século XX.
Tal como a sua adolescência foi marcada pela Guerra Civil em Espanha e a II Guerra Mundial a minha foi marcada pela sua aparência selvagem, romântica, e a sua acção revolucionária utópica e heroica tragicamente interrompida. Nos dias de hoje a sua figura quase lendária é exemplo para os jovens revolucionários de todo o mundo.


No dia em que se completam 40 anos sobre a sua morte presto-lhe a minha homenagem.


Contra O Vento E As Marés

Este poema (contra o vento e as marés) levará minha assinatura.

Deixo-lhes seis sílabas sonoras,

um olhar que sempre traz (como um passarinho ferido) ternura,

Um anseio de profundas águas mornas,

Um gabinete escuro em que a única luz são esses versos meus,

um dedal muito usado para suas noites de enfado,

um retrato de nossos filhos.

A mais linda bala desta pistola que sempre me acompanha,

a memória indelével (sempre latente e profunda) das crianças

que, um dia, você e eu concebemos,

e o pedaço de vida que resta em mim.

Isso eu dou (convicto e feliz) à revolução.

Nada que nos pode unir terá força maior.



Ernesto (Che)


Excerto de Elegia das Águas Negras Para Che Guevara)

A palavra, como tu dizias, chega

húmida dos bosques: temos que semeá-la;

chega húmida da terra: temos que defendê-la;

chega com as andorinhas

que a beberam sílaba a sílaba na tua boca.














Cada palavra tua é um homem de pé;

cada palavra tua

faz do orvalho uma faca,

faz do ódio um vinho inocente

para bebermos contigo

no coração em redor do fogo.



Eugénio de Andrade






BEIJOS!!





E PARA TI UM BEIJO MEU!!!