sábado, maio 13, 2006

Ao meu cavaleiro errante...


Sempre me sentei nas alçadas das janelas dos castelos a olhar o horizonte, à espera de ver chegar o meu Cavaleiro Errante... Traz uma capa de burel, com as suas armas sobre o peito por mim bordadas a seda ouro, de folhas entrelaçadas com uma rosa vermelho sangue. Sou aia, fujo aos “favores" do rei… e porque partilho receitas de chás, e mézinhas com o irmão Telmo do convento beneditino, tal como a donzela de Orleães, ( pois quem ouvia vozes ou tratava dos mal alheios e fugia do rei, decerto que tinha pacto com a “Dama de Pés de Cabra”) o remédio foi a fogueira...


Liberto das velhas fanfarras
de heroísmo,
que assaltam
o coração e a razão
- longe dos antigos assassinos -

Estandarte de carne
sangrando
sobre as sedas dos mares,
e das sonhadas flores das neves...

Longe
das antigas retiradas,
e dos velhos incêndios
que ainda sentimos,
ainda ouvimos...

Ó Amor, ó Mundo, ó Música!

Formas, suores,
cabelos e olhos,
e lágrimas brancas...
e suores agrestes...

- ó Doçuras! -

Nossos gritos comuns,
chegados ao fundo
de vulcões
e a todas
as grutas!

BEIJO MEU e alguma saudade...

1 comentário:

Ana Maria disse...

Querida Papoila a escrita também tem punho de arma.

um jinho