terça-feira, maio 01, 2007

Travessuras da Menina Má, leitura de Maio

O romance “Travessuras da Menina Má” considerado pelo próprio Vargas Llosa como sua primeira “história de amor” marca um momento especial na carreira do escritor peruano de 70 anos. O livro é divertido a seu modo ligeiro, distante da grandiosidade dos seus anteriores romances. Relata a paixão de Ricardo o “bom menino” que apenas quer viver em Paris, uma vida pequeno-burguesa de tradutor pela “menina má” que não mede esforços para ser muito rica, e usa todas as artimanhas femininas para o conseguir. Atravessa o tempo (quatro décadas) e o espaço e esboça a segunda metade do século XX desde Lima nos anos dourados, passando por Paris no tempo do radicalismo estudantil, a Londres, Japão e Madrid. Através da dor e da alegria, da humilhação e da felicidade, do trágico e do cómico, conhecemos um amor de mil faces, indefinível, fora das classificações e tipificações que teimamos em dar às coisas e aos sentimentos. Qual é a verdadeira face do amor? Em cada cidade Ricardo reencontra a sua fria e impiedosa amada com uma nova identidade, num novo papel. O seu amor é tão intenso, a narrativa de Llosa tão vigorosa, que a cada página fui ficando cativada a ponto de eu própria me afeiçoar à “menina má”.
Mario Vargas Llosa nasceu em 1936, em Arequipa, no Peru. Professor universitário, académico e político, é uma personalidade intelectual de grande vulto e um dos mais importantes escritores da América Latina e do mundo. Da sua vasta obra pode destacar-se A Cidade e os Cães (Prémio Biblioteca Breve, 1962; Prémio da Crítica Espanhola, 1963), A Casa Verde (1967; Prémio Nacional do Romance do Peru, Prémio da Crítica Espanhola, Prémio Rómulo Gallegos), Conversa na Catedral (1969), Pantaleão e as Visitadoras (1973), A Tia Júlia e o Escrevedor (1977), A Guerra do Fim do Mundo (1981; Prémio Ritz-Hemingway – 1985), História de Mayta (1984), Quem Matou Palomino Molero? (1986), O Falador (1987), Elogio da Madrasta (1988), Lituma dos Andes (Prémio Planeta, 1993), Como Peixe na Água (1993), Os Cadernos de Dom Rigoberto (1997), Cartas a Um Jovem Romancista (1997), A Festa do Chibo (2000) e o Paraíso na Outra Esquina (2003).

“Peguei-lhe pelo braço com força e, sorrindo-lhe, obriguei-a a afastar-se dos que a rodeavam. Olhou-me com um desagrado que lhe retorceu a boca e ouvi-a a proferir os primeiros palavrões desde que a conhecia:
-Larga-me, fucking beast – murmurou, entredentes. – Larga-me, que ainda me metes em complicações.
Se não me telefonas digo a Mr. Richardson que és casada em França e que a polícia da Suíça te persegue por teres esvaziado a conta secreta de monsieur Arnoux.
E meti-lhe na mão um papelinho com o número do telefone do pied-à-terre de Juan em Earl’s Court. Depois de um instante de pasmo e mudez – a sua carinha converteu-se num ricto – soltou uma gargalhada abrindo muito os olhos:
- Oh, my God! You are learning, menino bom – exclamou, refazendo-se da surpresa, com um tom de aprovação profissional.
Deu meia volta e tornou a juntar-se ao grupinho do qual eu a tinha arrancado.
Fiquei certíssimo que não me telefonaria. Eu era uma testemunha incómoda de um passado que ela queria apagar a todo o custo; caso contrário, nunca teria agido como fizera toda a noite, esquivando-se daquela maneira. Contudo, telefonou-me para Earl’s Court dois dias depois, muito cedo. Mal pudemos falar porque, como costumava fazer antigamente, ela se limitou a dar-me ordens:
-Espero-te amanhã, às três, no Russell Hotel. Conheces? Na Russell Square, perto do Museu Britânico. Pontualidade inglesa, por favor.”

In Travessuras da Menina Má, Mario Vargas Llosa, tradução de J. Teixeira de Aguillar, Publicações D. Quixote, Lisboa Setembro de 2006 (Pag: 119/120 de 375)


15 comentários:

Miosotis disse...

Olá querida Amiga!
Tudo bem?!
Desculpa não ter dado noticias antes, mas tenho andado sempre a correr de uim lado para o outro.
Espero que tenhas uma óptima semana.
E um excelente feriado.
Muitos beijinhos
Maria

Amizade cristalina

Quisera eu
derramar todas as flores
de todas as estações
para colorir todos
os seus dias

Quisera eu
poder te dar o sol
para aquecer seu coração
versus a solidão

Quisera eu
dar-te a magia da lua
para você viver a vida inteira
coberto de amor e ternura

Quisera eu ter o dom da cura
para te libertar de toda dor
do corpo e do coração
Acabar com todas
as amarguras

Quisera eu dar aos seus ouvidos
o silencio
quebrado apenas
pelas canções
de paz

Quisera eu
ser querubim
para cuidar de você
sem precisar partir

Quisera tudo e tanto mais
Só por um único motivo
minha amizade
que só quer
te ver Feliz.

Rute disse...

Bom dia Papoila, passei p dizer k este mês é destake no refúgio, por isso passa lá p trazer o link de destake. Em breve envio o presente destake.
Boa semana e bom feriado...
jinhos

jpg - o sineiro disse...

Mais uma bela sugestão de um trabalho de autor insuspeito.

E assim se vai apelando à boa leitura, aqui, em "A Papoila".

Um bjnh.

Kalinka disse...

Olá
visitei-te no outro feriado - dia 25 de Abril e hoje, cá estou a visitar-te outra vez ao feriado, dia 1 de Maio...
Muito obrigado pela óptima sugestão de leitura.

O meu tema é: Trata-se do sistema endocanabinóide, situado em uma área do cérebro que regula as emoções e que está envolvido em actividades importantes como a regulação do gasto e formação de estoques de energia e nas sensações de recompensa e prazer.
É isso:
como regular as emoções???
alguém me ensina? me ajuda?

Beijos. Boa semana.

paty disse...

Este é um certificado de amizade.


Se eu pudesse agarrar um arco-íris

Eu o pegaria só para você

E compartilharia com você a sua beleza

Nos dia em que você se sentisse triste

Se eu pudesse construir uma montanha

Você poderia chamá-la de só sua

Um lugar para encontrar serenidade

Um lugar para estar sozinha(O)

Se eu pudesse pegar seus problemas

Eu os jogaria no mar

Mas todas estas coisas em que eu estou pensando

São impossíveis para mim

Eu não posso construir uma montanha

Ou pegar um belo arco-íris

Mas deixe-me ser o que eu sei de melhor

Uma amiga que está sempre por perto

...DE SI...

soslayo disse...

Papoila:

Eis aqui uma boa sugestão de leitura. É por assim dizer uma obra a adquirir para o prazer de uma boa leitura. Agradável e interesante. Obrigado pela partilha. Um beijinho.

Osc@r Luiz disse...

Papoila, obrigado por nos brindar com mais essa sugestão.
Toda vez que visito seu blog, volto um pouquinho melhor do que quando fui!
Um beijo!

minds disse...

Óptima sugestão!
E logo eu k adoro ler...;)

bjs

Juda disse...

Boa... porque não... deixo um abraço...

Miosotis disse...

VOCÊ É...


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___________________00__MIOSOTIS

.*.Magia.*. disse...

Hummmmm

Papoila...
Lá vou eu ter que gastar MAIS uns euritos num livro...assim não vale :(

Aguçaste-me a curiosidade...

Travessuras de uma menina má...tu sabes que eu faço estas coisas mas no fundo até gosto de ti...
Sou travessa mas enfim...
Papoila que é Papoila também é travessa que eu sei...
É por isso que resides numa jarra de Cristal cheia de Vodka...

Vou comprar mais umas garrafitas, deves estar com sede...

FUI...

Cheers!

Bia disse...

Bem, gostei muito da sugestao, prometo que vou tentar "arranjar" este livro (sem gastar dinheiro é claro pk sou mitra ;) )

Beijinho grande

Sandecida disse...

Olá

linda... neste momento estoua ler "vou contar-te um segredo" da Margarida Rebelo... mas tou inquieta para começar "deixa fluir como um rio" do Paulo Coelho... mas a tua sugestão parece-me bem... vou sondar melhor...

beijos sempre doces

p.s- tenho desafio para ti lá no meu "jardim" :D

António disse...

Querida Papoila!
Como consta do teu próprio texto, em 1973 foi publicado o livro do Mario Vargas Llosa "Pantaleão e as visitadoras" que eu li pouco depois.
Confesso que não me agradou e nunca mais li nada do autor.
Entretanto, o estilo do agora famoso escritor deve ter sofrido muita evolução.
Quando tiver pachorra, talvez leia de novo o Llosa.

Obrigado por teres aparecido no "Concurso público".

Beijinhos

Cusco disse...

Gosto bastante do autor e já li várias obras suas.
Ainda não li este livro porque estou com receio que o mesmo não corresponda às minhas expectativas.
Alguns autores de que gosto muito e que mudaram o seu estilo de escrever desiludiram-me um pouco nas suas últimas obras: Isabel Allende, Gabo..
Espero que quando o ler não seja também o caso!
Um jinho e bom fim de semana!